quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ressurreição de Cristo: Milagre ou Dogma?

Toda vez que alguma teoria científica põe em risco a credibilidade de alguma doutrina religiosa, a polêmica se instala. E nessa disputa ancestral, a maior de todas as divergências costuma deixar os clérigos de cabelo em pé, pois questiona justamente o fato sobre o qual se apoia a base da fé cristã e o principal fundamento da sua essência doutrinária, que é a ressurreição de Cristo.

As primeiras controvérsias sobre esse tema aconteceram há mais de seiscentos anos e alimentaram muitas fogueiras da inquisição. Mas tomaram força no século XIX, quando o escritor Samuel Butler, em seu livro sobre a ressurreição, demonstrou várias inconsistências fatídicas. De lá pra cá muitas publicações se seguiram, reforçadas por constatações arqueológicas.
A princípio, parece uma tese provocativa mas, se observarmos os fatos, nos deparamos com questões intrigantes. Evidências indicam que Jesus teria sido resgatado vivo da cruz por José de Arimateia e, após ser tratado dos ferimentos, teria viajado clandestinamente para uma região localizada na Caxemira, denominada Novo Tibet, no norte da Índia, onde viveu e pregou até os 80 anos de idade.

A Conexão Budista

A suposta fuga para o oriente se justifica por duas razões curiosas: primeiro, porque essa é a direção por onde ele poderia sair do alcance das autoridades romanas mais rapidamente, bastando seguir a conhecida Rota da Seda, passando por Gaza, Iêmen, Pérsia e, finalmente, a Caxemira, na Índia. 
A outra razão tem a ver com a sua própria história, desde o seu nascimento. Segundo a tradição budista, quando o Dalai Lama morre, os magos consultam as estrelas e, seguindo as indicações destas, partem em busca do menino recém-nascido que seria a reencarnação do Buda. Quando esse menino atinge idade entre doze e quatorze anos, ele é levado para ser educado na fé budista.
Tais coincidências indicam que poderia ter sido essa a verdadeira história dos Três Reis Magos do oriente que, seguindo uma estrela, visitaram Jesus logo após o seu nascimento. Outra coincidência interessante indica que Jesus poderia ter sido levado para a Índia, ainda menino.
O escritor Russo Nicolai Notovitch, em seu livro “A vida desconhecida de Jesus Cristo”, do século XIX, traduz manuscritos indianos, segundo os quais uma criança chamada “Issa”, nascida de uma família pobre de Israel no século primeiro, alí chegou com 14 anos de idade, estudou as leis do Budismo, se tornou mestre e voltou para Israel com 29 anos de idade. Esse foi justamente o período do qual não há nenhum registro da presença de Jesus na região da Galileia. Observe também que “Issa" no idioma local significa “Salvador” ou “Aquele que cura”, o mesmo significado da palavra “Jesus” em hebraico.
Além disso, há um estranho paralelismo entre os ensinamentos e milagres budistas. Pregar o amor aos inimigos, o desapego aos bens materiais e crer que o reino do céu é reservado aos mansos de coração não tem nenhuma relação com os costumes tradicionais judeus, mas tem tudo a ver com as doutrinas do budismo. E, ainda, segundo a tradição, Buda caminhou sobre as águas, ressuscitou um morto e milagrosamente alimentou cinco mil seguidores repartindo poucos peixes e migalhas de pão.
Há farto material e escrituras referentes ao profeta Issa, na região da Caxemira e em todo o norte da Índia, indicando várias outras coincidências. Nos idiomas e dialetos regionais, como Caxemir, Árabe e Urdu esse mesmo profeta é conhecido como Yusuf, Issa, Yuz Asaf, Yuz-Asaph, Issana e Isa. Coincidentemente, todos esses nomes se traduzem como "Salvador", que em Hebraico seria “Jesus”.
Segundo a tradição local, durante uma grande pregação por volta do ano 50 d.C., o Profeta Issa (ou Yuz Asaf) teria afirmado ser Jesus Cristo da Galileia. Essa é uma das razões pelas quais as suas escrituras sagradas indicam que esse profeta veio de Israel, após ter sido martirizado por pregar a palavra de Deus e por curar doentes. Tendo morrido aos 80 anos de idade Yuz Asaf foi enterrado na Caxemira e na lápide de seu túmulo contém duas marcas de pés, nas quais aparecem as cicatrizes da crucificação.

Crucificação e Ressurreição

A crucificação, que muitos acreditam ter sido uma ação isolada para martirizar Jesus, na verdade era prática comum adotada pelo exército romano, havia pelo menos cem anos, como forma de humilhar publicamente escravos rebeldes e criminosos não romanos. Naquele mesmo ano, além de Cristo, cerca mil condenados teriam sido executados. Porém, o seu propósito não era a morte rápida, que seria muito menos trabalhoso com um simples golpe de espada. Pelo contrário, uma pessoa crucificada deveria permanecer agonizando o máximo de tempo possível em um lugar bem visível, como se fosse um outdoor aterrorizando as pessoas ante o poder opressor de Roma. Assim, essas vítimas costumavam agonizar por três, quatro ou cinco dias, até sucumbirem.
Com base nesses dados e também em alguns fatos relacionados ao evento da crucificação, há pelo menos dez evidências indicando que Jesus Cristo pode não ter morrido na cruz. Veja:
1)     Se o propósito da crucificação era deixar o condenado agonizando por vários dias, até a morte, por que Jesus foi retirado seis horas depois?
2)     Havia dois outros condenados sendo executados naquela mesma data. Uma vez que o dia seguinte era o Shabat e nenhuma atividade poderia ser realizada, os soldados romanos trataram de apressar a morte desses dois para retirá-los logo da cruz. Isso era feito quebrando-lhes as pernas para que o peso do corpo pendurado apenas pelos braços impedisse a respiração, provocando a morte rápida por asfixia. Entretanto, Jesus foi poupado disso. Por quê?
3)  Pouco antes de o retirarem da cruz, colocaram em sua boca uma esponja embebida em um líquido. O simples fato de ele ter ingerido comprova que ele estava vivo e consciente. Não seria esse líquido alguma droga capaz de provocar um estado de estupor ou uma espécie de coma reversível, a fim de poderem retirá-lo inerte da cruz, sem levantar suspeita?
4)     Para se certificar se Jesus estava morto, um soldado romano o golpeou com uma lança na altura das costelas e, segundo os evangelhos, jorrou sangue e água. É mais uma prova de que ele estava vivo, pois após a morte nenhuma perfuração no corpo provoca evasão de líquidos. No máximo, alguma gota poderia escorrer muito lentamente. Não jorrar!
5)     Os Judeus mortos naquela época, ao serem sepultados, tinham as covas preenchidas com terra. No entanto, Jesus foi levado para uma catacumba, apenas fechada precariamente com uma pedra que, dois dias depois, foi retirada por mulheres que, segundo as escrituras, pretendiam ungir o corpo. Aqui há outra contradição, pois jamais existiu entre Judeus este costume de ungir corpos dos mortos já sepultados. Isso apenas suscita especulações de que essas mulheres, na verdade, levavam produtos destinados ao tratamento de enfermidades.
6)     José de Arimateia, que cuidou dos funerais de Cristo, teria retornado ao túmulo pelo menos uma vez depois do "sepultamento", acompanhado por Nicodemos, levando ungüento, especiarias e Alloes, que eram produtos usadas no tratamento de ferimentos. Ressalte-se que Nicodemos era um conhecido Rabi - mestre estudioso das ciências, que se equipara a um cientista ou médico de hoje em dia. Além disso, ambos se encontram com Jesus secretamente em noite anterior à sua prisão. Não estariam arquitetando algum plano para o caso de Jesus vir a ser condenado? 
7)     A primeira pessoa a vê-lo ressuscitado teria sido Maria Madalena que, diante do túmulo vazio, conforme narra o Evangelho de João (20.14), "virou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus", ou "não o reconheceu", de acordo com outras traduções. Ora, se ela não sabia quem era a pessoa avistada, por que os doutrinadores deduziram que se tratava de Jesus? Essa é uma de tantas passagens que não faz nenhum sentido, apenas confunde. E por que justamente uma mulher foi a portadora de tão importante notícia, se o testemunho feminino naquela época não tinha nenhum valor legal ou moral?
8)     No dia seguinte à "ressurreição", Jesus caminhou por vários quilômetros, rumo à cidade de Emau. Porém, estranhamente, ao encontrá-lo nesse caminho, os seus discípulos não o teriam reconhecido, nem mesmo o seu irmão, Tiago! Se eram amigos de tão estreita e duradoura convivência cotidiana, isso não faz sentido, a menos que Ele estivesses com uma aparência muito alterada, devido ao grave estado de convalescença! Essa tese se confirma pelo fato de que Tomé tocou-lhe as chagas, comprovando que, de fato, Ele estava ferido. Ora, se Ele havia ressuscitado na glória de Deus todo poderoso, seria mais coerente que ostentasse uma aparência verdadeiramente divina, mostrando ter triunfado sobre os sofrimentos pelos quais passou e sobre própria morte. Aparecer ferido e com a aparência tão moribunda, a ponto de não ser reconhecido pelos amigos próximos, parece muito contraditório.
9)     Após a ressurreição, segundo os evangelhos e segundo as cartas de Paulo, Jesus transitou pela região de Jerusalém e pelo norte da Galileia durante 40 dias. Contudo, em nenhuma das ocasiões em que foi visto, ele não se comportou como uma entidade superior, dotado de atributos sobrenaturais próprios de alguém que ressuscitou dos mortos, não realizou milagres, tampouco pregou qualquer ensinamento. Pelo contrário, ele se deixou ver apenas por poucas pessoas de sua extrema confiança e, ainda assim, em circunstâncias furtivas e reservadas, ensejando suposições de que, na verdade, Ele estaria evitando as autoridades romanas, enquanto se recuperava para seguir para outras terras (Vide Dezoito aparições).
10)  E, o mais intrigante, é a constatação de que os evangelhos originais que fundamentaram a religião cristã até a reforma do Concílio de Nicéia, promovida pelo imperador romano Constantino, em 380 d.C, não mencionavam a ressurreição, tampouco a ascensão de Cristo. Esses fatos teriam sido incluídos posteriormente nos Evangelhos, como forma de igualar a figura de Jesus Cristo a Hórus, o deus de quem Constantino era devoto antes de se converter.
Contudo, a despeito de todas essas especulações, deixo registrado que minha fé é inabalável e que temas dessa natureza, sejam verdades históricas ou meras abstrações investigativas, em nada mudam minha incondicional idolatria dedicada ao mestre Jesus Cristo de Nazaré.
* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, Mestre em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Sociologia, História Política e Social e Nutrologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, MM
Fontes de pesquisa: