segunda-feira, 22 de maio de 2017

Jejum Prolongado

De cada 10 matérias que eu busco no Google Acadêmico sobre jejum prolongado, pelo menos 8 me mostram que não faz bem.
Vou resumir aqui os três principais argumentos que me convencem disso.
1)     O organismo demanda nutrientes continuamente, vinte e quatro horas por dia. A máquina não para. Mesmo durante o sono há uma forte demanda para o funcionamento dos sistemas nervoso, cardiovascular, respiratório, etc... Interromper o fornecimento de nutrientes é como cortar o fornecimento de combustível. Isso provoca uma quebra no sincronismo entre os sistemas vitais, incompatível com o biorritmo contínuo do nosso corpo.
2)     Sentir fome e não comer é o mesmo que sentir sede e não beber água, sentir sono e não dormir ou sentir vontade de ir no banheiro e se privar. Isso é conhecido como privação das necessidades elementares, uma prática condenada severamente desde os tempos ancestrais, pois bloqueia o funcionamento natural e espontânea de funções fundamentais do corpo. Não atender a essas vontades é desrespeitar sinais importantes do organismo e impedir atividades metabólicas básicas.
3)     O nosso corpo é um conjunto de centenas de sistemas inteligentes que, por sua vez, são formados por bilhões de células. Cada uma dessas células é um subsistema com "inteligência" e metabolismo próprio. E tudo isso funciona de forma integrada, em perfeita sintonia, à custa da nutrientes e energia fornecidos pela alimentação. Se ficamos sem comer por 15, 18 ou 20 horas seguidas, cada uma das células sentirá o racionamento no fornecimento de nutrientes. Em razão disso, algumas células irão acionar um dispositivo biológico de auto preservação, armazenando energia para se prevenir de carências futuras. Essas células são denominadas tecido adiposo e essa energia é armazenada na forma de gordura corporal. É por isso que mesmo fazendo regimes com severas restrições de alimentação, algumas pessoas continuam engordando e se sentindo desnutridas e com fome permanente.
Portanto, comer menos em cada refeição faz todo sentido. Mas deixar de comer não me parece ser racional, tampouco faz sentido lógico. Sendo assim, o melhor é obedecer os sinais do seu próprio corpo e não o relógio. Afinal, quando inventaram o relógio, nosso corpo já vinha sendo preparado pela natureza há milhões de anos. A natureza é sábia. Então, vamos agir sem contrariá-la. Coma quando sentir fome, selecionando o tipo de nutriente mais importante, sem excesso de carboidrato, obviamente.
* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M.


sábado, 20 de maio de 2017

O Mecanismo de Exploração e de Manipulação do Estado Brasileiro

Por José Padilha, O Globo
1.    Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.
2.    O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.
3.    No executivo ele opera via o superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e as empresas estatais.
4.    No legislativo ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.
5.    O mecanismo existe a revelia da ideologia.
6.    O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.
7.    Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT e quem elegeu todos os Presidentes da República desde o fim do regime militar.
8.    No sistema político brasileiro a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.
9.    O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele tem poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.
10.  A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que tem valores incompatíveis com a corrupção tendem a serem eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.
11.  O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.
12.  A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)
13.  A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.
14.  Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em cheque o funcionamento do mecanismo.
15.  Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.
16.  A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.
17.  Resulta daí que na vigência do mecanismo o estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.
18.  As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.
19.  Embora o mecanismo não possa conviver com um estado eficiente, ele também não pode deixar o estado falir. Se o estado falir o mecanismo morre.
(Definição pura e simples de parasita - o povo é parasitado por políticos, empreteiros e amigos do rei que farão de tudo para continuar sugando o que for possível do Estado que tira seus recursos dos impostos)
20.  A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal.
21.  Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)
22.  A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes rígida, competente e com bastante sorte.
23.  Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças políticas e jurídicas contrárias são significativas.
24.  O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.
25.  O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.
26.  Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.
27.  Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.