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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Objetos Voadores Não Identificados - Minha Experiência


O ser humano é predisposto a duvidar de tudo o que não seja tangível e, sobretudo, de tudo aquilo que não conhece e não pode avaliar. É um comportamento natural: nega-se tudo até que uma experiência nova provoque a reflexão.
Assim, eu não tenho a menor dúvida de que o conhecimento é infindável e que a ciência ainda rasteja em relação ao Universo - talvez ainda estejamos na idade da pedra.
Tal convicção decorre de uma experiência totalmente inusitada que me perturba desde os nove anos de idade e que até hoje desafia todos os meus conceitos e ainda confunde a minha lógica diante de quaisquer referenciais teóricos. Embora a minha formação em Engenharia Mecânico e Engenharia Industrial tenham me proporcionado um relativo conhecimento dos conceitos e princípios da física, aquilo que vi não encontra fundamento técnico-científico que o explique.
Diferentemente da grande maioria de experiências de avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados, nas quais os protagonistas descrevem a visão de meras luzes estranhas no céu, eu vi uma nave metálica no ar, concreta e nítida, a curta distância, com características extraordinárias e realizando performances absolutamente impossíveis e inimagináveis.


Por isso, ao longo de mais de quarenta anos essa experiência vem me intrigando, pois eu sei que há algo inexplicado e tecnicamente considerado absurdo que, embora seja negado pela ciência e até ridicularizado pelos meios de comunicação, eu vi e sei que existe!...
No que diz respeito á necessária investigação desse tipo de fenômeno, o que mais atrapalha é justamente a comunidade científica com seus conceitos moldados para admitir apenas aquilo que é compreendido e negar o resto. Por sorte ainda restam alguns raros iluminados que são abertos à discussão e que buscam meios para investigar e explicar novos fenômenos.

O próprio Albert Einstein, por exemplo, acreditava que a comprovação e compreensão plena da Teoria da Relatividade Geral (TRG), infelizmente ainda não decifrada integralmente, poderia trazer novas revelações e propiciar o domínio de novos princípios da física, que seriam capazes de demonstrar a existência de outros planos físicos no Universo, além de revelar meios para que o homem pudesse transitar entre esses planos. Afinal, de acordo com a própria TRG, o espaço e o tempo são meros conceitos que se confundem em circunstâncias específicas. Por isso, as distâncias de milhões de Anos-Luz não seriam esse obstáculo impeditivo que os teóricos atuais da física alegam ser intransponíveis.
Einstein comprovou a existência daquilo que ele chamou de antimatéria, deduzindo que a sua massa poderia ser maior que a massa total de matéria contida em todo o universo visível. Por causa dessas deduções, foi chamado de louco obcecado pela comunidade científica da época. Mas atualmente, com as novas revelações do telescópio Hubble os modernos cientistas comprovaram que a antimatéria é uma realidade! Chamaram-na de matéria escura e estimaram que a sua massa constitui pelo menos da 75% de toda a massa do Universo. Portanto, Einstein estava certo!
Na mesma linha das especulações de Einstein, admite-se hoje que esta matéria escura possivelmente se constitua num outro plano do Universo que compartilha o mesmo espaço físico do nosso universo visível, sem interferir e sem chocar um com o outro. Ou seja, há outros universos aqui mesmo, intercalados nesse espaço que cada um de nós está ocupando agora. Isto significa que o Universo Paralelo está se tornando cientificamente comprovável.

Contradições da Arqueologia.

Desde 2010 acompanho a série "Semana do Desconhecido", levada ao ar pelo Discovery Channel (THC). Estes documentários, produzidos por um grupo de cientistas "não alienados" contestam, de forma contundente e objetiva, muitos dos conceitos da arqueologia convencional.
Por exemplo, os arqueólogos tradicionais insistem que construções megalíticas como as Pirâmide do Egito, Machu Picchu, Stonehenge, Tiwanaku, Puma Punku, dentre outras, foram construídas por civilizações da idade da pedra, com finalidades absolutamente banais, como para marcar uma certa data do ano (ou seja, meros calendários de um dia só) ou, ainda, para identificar o dia do solstício de verão (o dia mais longo do ano).

Ora, nas latitudes habitáveis do planeta a diferença de duração entre o dia do solstício e o dia anterior (ou o dia posterior) é de fração de segundos. Portanto, sem o uso de um cronógrafo de precisão não dá pra identificar esse dia> Na idade da pedra lascada não era possível identificar esse dia. E mesmo se fosse, para quê isso seria útil?
Justificaria o emprego de toda a força de trabalho de uma civilização inteira, ao longo de décadas ou séculos, dedicada exclusivamente à construção desses gigantescos monumentos, exclusivamente para para marcar esse dia? Para quê? Liturgia religiosa? Eu não creio em tamanho despropósito!
Quando leio coisas desse tipo, chego a me sentir tratado como idiota, dada a inconsistência e a falta de lógica com que se tenta sustentar tais teorias. Como diz o cientista Giorgio A. Tsoukalos, entrevistado na série de programas do THC, esses arqueólogos fecham os olhos (ou omitem) fatos tão óbvios que chegam a ser ridículos.
Veja algumas contradições e inconsistências mostradas nessa série do THC:
1.      O formato do crânio e do corpo do faraó Akhenaton, assim como seu filho Tutancâmon, são totalmente diferentes do corpo humano normal. Além disso, a história egípcia registra que Akhenaton veio dos céus, trazido por deuses em uma esfera de fogo. Ainda assim a arqueologia convencional insiste que não há evidências de anormalidade em relação a esses dois personagens da história. No entanto, as respectivas múmias (Clique e veja) comprovam materialmente as estranhas características! Na verdade são muito similares aos seres da estrelas cujos crânios são encontrados no Peru (Veja mais AQUI). No entanto, a maioria dos cientistas atuais atribuem o formatos dessas cabeças alongadas a procedimentos médicos (?) da época, especulando que se tratavam de resultados de cirurgias de trepanação destinadas à cura de enxaqueca ou, ainda, a procedimentos destinados a ampliar a capacidade cerebral das pessoas por meio do desalinhamento da glândula pineal. Ora, isso não faria sentido nem nos dias atuais, tampouco há onze ou doze mil anos atrás, em plena idade da pedra lascada! Por isso, mesmo sendo leigo em medicina, me sinto ofendido diante de abstrações tão ridículas.
2.    Segundo especialistas entrevistados naquele programa, a maioria das construções como Tiwanaku, Puma Punku, Ollantaytaymbo, Machu Picchu (Clique e veja), situados no Peru e Bolívia, assim como as cidades e monumentos egípcios, indianos e muitos outros, seriam impossíveis de serem construídas, até mesmo nos dias atuais, devido às suas dimensões, à tecnologia necessária e, sobretudo, à precisão dos cortes nas pedras. Portanto, se mesmo dispondo das atuais ferramentas elétricas e eletrônicas de alta precisão e potências fenomenais não se conseguiria realizar aquelas obras, como poderiam tê-las feito batendo pedra bruta com pedra bruta? Me desculpem os crédulos, mas isso também é ridículo!
Outro fato intrigante é que em vários desses sítios arqueológicos há materiais datados com idades entre 10.000 e 17.000 anos. Por essa razão, especula-seque as conhecidas civilizações que habitaram esses sítios entre 1.000 e 4.000 anos atrás, teriam sido meros ocupantes e sequer participaram das construções.
3.     A arqueologia convencional demonstra por meio de datação de materiais e por registros históricos que a grande pirâmide do Egito foi construída em 22 anos. Esse prazo tem relação com o reinado de Qeóps, seu idealizador e construtor, que reinou por 22 anos, tendo morrido com cerca de 25. Contudo, não é necessário ser um Engenheiro de Produção para se constatar, com base na população egípcia da época, que cada bloco de pedra teria que ser extraído, transportado, talhado, polido, assentado e encaixado em 9 (nove) segundos, conforme calculam os cientistas consultores do History Channel! Portanto, também essa tese defendida pela arqueologia é tecnicamente improvável!
4.     Da mesma forma, para o caso de Machu Picchu eu tenho os cálculos que comprovam a absoluta impossibilidade de haver sido construída pela população local. Ali é ainda mais simples, pois os recursos de terra fértil, água e espaço disponíveis na montanha não comportavam mais que 1.000 (mil) pessoas residentes. Segundo registros históricos, o imperador Pachacuti, idealizador do projeto, governou por 33 anos. Mas, mesmo se considerássemos a participação total das populações, inclusive de regiões vizinhas, levando em conta que os trabalhadores da construção, além de extrair pedra, transportar, talhar, polir, assentar e encaixar, ainda se alimentavam, preparavam rolos de madeira para o transporte, dormiam, e se vestiam, essa obra seria absolutamente impossível com esse contingente! Portanto, não há fundamento de Engenharia de Produção que sustente a tese tradicional.
Assim, por meio de simples constatações e avaliações pragmáticas, é possível se supor que essas teorias, assim como dezenas ou centenas de outras, sejam fruto de especulações impróprias e impensadas.

Por isso, devido à minha experiência de avistamento de OVNI e às tantas inconsistências verificadas nas teorias arqueológicas convencionais, eu tenho convicções muito peculiares em relação a existência de civilizações inteligentes de outros planos físicos ou extra terrestres.

Objetos Voadores Não Identificados (OVNI)

Em relação aos avistamentos e contatos com OVNI, apesar de acreditar que pelo menos 80% dos casos sejam mera especulação, fantasia, delírio, fatos duvidosos, suspeitos ou obscuros de toda natureza, há outros 20% que são a mais absoluta verdade e que permanecem totalmente inexplicados.
No meu caso específico, ao contrário da grande maioria, eu não vi apenas luzes estranhas no céu, tampouco um objeto indefinido ou de visibilidade duvidosa. Vi um aparelho metálico em formato de disco, pairando e voando no ar, que emitia uma luz própria de cor rosa-alaranjada de uma beleza espetacular - sem paralelo - muito parecido com esta ilustração (Clique e veja)!...
O aparelho apareceu se movendo bem devagar e parou por alguns segundos a uma distância de uns 50 ou 60 metros da janela onde nos encontrávamos, eu e alguns irmãos. Em seguida começou a se deslocar lentamente e, em seguida, numa fração de tempo que eu estimo entre 1 e 2 segundos, acelerou de forma espantosa, atingindo uma velocidade inimaginável, sem emitir qualquer ruído, dobrando por sobre a serra que fica a uns 5 km de distância do local e desaparecendo no céu.
Depois dessa experiência, quando eu tinha cerca de nove anos de idade, como dito acima, jamais me esqueci daquela visão espetacular e, também, nunca deixei de buscar explicações para o fenômeno. Algum tempo depois me deparei com a imagem de um aparelho semelhante na capa da revista O Cruzeiro, dizendo se tratar de naves extra terrestres e isso, obviamente, me deixou ainda mais impressionado e intrigado.

Aceleração Impossível

Após adquirir alguns conhecimentos básicos de física na faculdade de Engenharia, me convenci plenamente de que aquele aparelho não obedece muitos dos princípios da física conhecida pelo homem. Especialmente por causa daquela "arrancada" silenciosa que ultrapassou 5 km de distância em menos de 2 segundos! Isso corresponde a uma aceleração de 8.000 km/h a cada segundo, atingindo velocidade entre 12.000 e 18.000 km/hora instantaneamente. Veja o cálculo:
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Velocidade = Espaço / Tempo => V = 5 km/1,5 seg (= 1,5/3600 h)
V = 12.000 Km/h
Aceleração = (V2 - V1) / T => A = 12.000 km/h / 1,5 seg => A = 8.000 km/h/seg
* O tempo de 1,5 seg é estimativo, com base no registro de memória.
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Isso é algo inimaginável e, de acordo com os princípios da física, é tecnicamente impossível pois, em tese, bastaria a metade dessa aceleração para que qualquer objeto se desintegrasse e, possivelmente, se transformasse em plasma, devido ao esforço colossal a que seria submetido, mesmo que esse objeto fosse algo maciço, constituído de liga de tungstênio, que é o metal de maior resitência conhecido pelo homem.

Para melhor entender o efeito devastador dessa aceleração súbita, basta saber que o esforço sofrido por um objeto sob aceleração positiva (crescente) é exatamente o mesmo sofrido sob desaceleração (aceleração negativa ou decrescente). Assim, aquela aceleração brusca (de zero a 18.000 km/hora em menos de dois segundos), mal comparando, seria como uma trombada de algo que se movesse a 18.000 km/h contra um anteparo estático. Isto é 20.000 vezes mais violento que que o mais dramático impacto de um jato contra uma montanha. É uma escala de dimensões que extrapolam nossa capacidade de imaginação.

Veja também uma impressionante coletânea de noticiários sobre OVNI's Clicando AQUI.

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Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Carta para a Mãe.

Autoria: Márcio Roberto de Almeida.

Oi, mãe,
Eu ontem reli uma carta sua, na qual você, como sempre, continua se preocupando com um monte coisinhas sem importância: quer saber se está tudo bem na escola, se eu estou me alimentando direito, se não estou me envolvendo com amizades erradas, etc, etc... Mãe, quantas vezes eu já disse que a senhora não tem motivos pra se preocupar comigo! Aqui tá tudo bem e eu estou me comportando direitinho! Pode ficar sossegada!...
Já tem um bom tempo que a senhora escreveu, né, e eu tinha até me esquecido de responder.
Mas hoje eu resolvi dar alguma notícia, por dois motivos: primeiro, porque bateu uma saudade danada da senhora e, também, porque hoje completa mais um aniversário do dia que a gente se encontrou pela última vez, lembra?
Aliás, eu acho até que deveria me desculpar com a senhora por causa daquele dia. Eu estava terrivelmente apavorado, transtornado e tomado por uma comoção violenta! Acho que a senhora nem deve ter notado, porque durante aquelas horas que a gente passou juntos, a senhora ficou o tempo todo com uma expressão tão meiga! Parecia que descansava profundamente, sonhando alguma coisa muito bonita!... Mas, eu penso que a senhora entende as razões pelas quais eu me comportei daquele jeito, né? Naquele dia, eu enfrentava um dos fardos mais pesados que Deus me pôs nas costas - desses que a gente nunca aprende a carregar, quase um martírio!... E, por causa disso, eu me sentia totalmente perdido, sem rumo e desesperado. Me lembro que o papai, quando me viu daquele jeito, me abraçou e disse “filho, a vida vai continuar!...”. Na hora eu não pensava assim, achava que o mundo tinha desabado. Mas ele tinha razão! O tempo passou e a vida continuou...
Porém, naquele dia eu preferia que a gente nem tivesse se encontrado, sabia?! Preferia que você tivesse deixado um recado lá em casa dizendo “Aháá!.. Te peguei! É primeiro de abril e eu não estou em casa! Fui pra Goiás com seu pai e vou demorar uns trinta dias pra voltar!...”. Mas não foi assim!... E já se passaram trinta e dois anos! Mas, como a senhora sempre disse! “Cuáh”, deixa estar!... Deus sabe o que faz, né...
O importante é que estamos todos bem e a senhora continua a mesma mãezona, cheia de paciência, meio chorona à toa, às vezes, mas ainda é a mais carinhosa e mais legal de todas as mães (vê se não fica exibida demais por causa disso, viu!...)
Mas, mãe, daquele dia pra cá, muita coisa boa aconteceu e eu ainda nem contei pra senhora! Eu me formei naquela escola! Lembra que te contei que era uma escola enorme, que o prédio era umas dez vezes maior que o Estadual e que tinha mais de mil alunos? Pois é. Me formei lá, depois entrei pra faculdade e me formei também! A senhora costumava dizer que eu deveria ser um Engenheiro quando crescesse, né!... Pois é, eu consegui! Depois disso, ainda inventei de estudar mais! Nem sei pra que, mas todo mundo achava que seria melhor e eu aproveitei o tempo que tinha à noite!...
Mãe, tava ansioso pra te contar: eu tenho duas filhas, já grandes! São lindas!... Mais altas do que eu, acredita? Além disso, ainda tenho um menino pequeno que é uma bênção de Deus! Precisava de ver!... Do jeito que a senhora sempre foi apegada com menino pequeno, eu penso que ia ficar doidinha com a beleza e com a alegria dele. Além disso, ainda vai nascer outra filha minha daqui a uns três meses. Essa eu queria que fosse parecida com a senhora! Sabe aquelas fotos antigas suas, de quando tinha uns quatorze anos de idade? Era muito linda, né! E essa sua calma, essa paz com que a senhora sempre resolve as coisas!... Se ela te puxasse, seria uma graça de Deus! Ah, eu ia achar bom demais! Mas, sabia que isso pode muito bem acontecer?!.. É que a mãe dela tem esse seu gênio: calma, carinhosa! Um anjo de pessoa! A senhora iria gostar muito dela...
Sabe, mãe, a saudade às vezes me faz lembrar de tanta coisa passada! Até dos castigos que, na hora, a gente quase morria de medo, mas depois ficava tudo bem...Teve um dia que a senhora tava fazendo pamonha, lá no Barreiro, com a Julieta do Joãzinho Preto, e me mandou ira na casa da Tia Helena buscar uma peneira pra coar a massa. Lembra, disso? Eu sei que, antes de chegar lá, o Fernando me chamou pra ver um balanço de cipó que eles tinham acabado de fazer. Dizia ele que o balanço era bom demais e que subia da altura de uma macaúba!... Aí, eu não pude resistir e a gente se envolveu por lá muito tempo. Além de balançar bastante ainda tivemos que amassar umas moitas de Palácio pra amaciar o tombo, caso o cipó arrebentasse...
Quando cheguei na Tia Helena, outro portador já tinha vindo e levado a tal peneira. Então, eu saí correndo feito doido... Atravessei aquele Barreiro todinho sem parar, pensando nas conseqüências da minha irresponsabilidade. Mas, hoje eu vejo que aquele medo era só por causa do castigo moral porque, na verdade, as suas chineladas (agora que sou grande, eu posso falar...) não doíam nada, nada!... Eu tinha mais medo até da Tôca, que nunca levantou a mão pra dar nenhum tapa na bunda de ninguém lá de casa... Naquele dia, quando cheguei, todo suado, a senhora me ameaçou de “pegar de coro” se eu fizesse uma coisa dessas de novo...
Toda a vida eu fui muito calado, mas acredito que, apesar disso, a senhora sempre entendeu e soube que, mesmo semfalar, eu te amo muito, né, mãe! Aliás, a senhora é umas das pessoas com quem eu mais me abro... Me lembro de um dia que me pediu pra ir com o papai pro Indaiá, fazer companhia e abrir as porteiras pra ele. Dois dias depois, quando chegamos de volta, ele caçoou que eu tinha ido mudo e voltado calado! Naquela hora eu fiquei meio magoado com aquele comentário. Mas você deu um sorriso tão bonito, me passou a mão no cabelo, como se quisesse penteá-lo pra trás e disse: “Ele é um menino muito bom!...”. Foi um afago que eu guardei no coração...
Eu ainda não consegui parar com aquela mania que eu tinha, de ficar acordado de madrugada, pensando... E nessas horas eu sempre sinto muita saudade da senhora e de tudo aí de casa. Tenho saudade das férias... No fim de ano, tinha o Natal lá no Barreiro! Era muito bom, né. Tinha aquela vitrola em que a tampa era uma caixa de som. Além dos discos do Silveira e Silveirinha, que eles mesmos traziam para o papai, ainda havia o disco novo do Roberto Carlos que o Néder comprava pra senhora...
Nessas férias só não era muito bom as capinas de arrozal. Num ano era no arrozal do chapadão. No outro, o arrozal da moita de bambu! Disso eu não tenho muita saudade, não. Mas, também tinha a parte boa. Era quando a gente tava ali capinando desde manhãzinha e chegava a gamela de comida do almoço que a senhora mandava! Ah!... essa hora era sempre uma alegria muito grande. Que comida gostosa!...
Nas férias de julho tinha o carreto de milho da invernada, no carro de bois! Me lembro sempre disso também e, hoje, até sinto saudades. Mas não era muito bom. Que madrugadas geladas, credo!... Lembra que a senhora arranjava uns paletós velhos e umas capas pra eu e o Édi do Rubens vestir pra ir buscar os bois no pasto. Saíamos os dois, lá pelas quatro da manhã, com aquela lanterna velha que sempre estava com as pilhas fracas. Era muito, muito frio... Mas, ainda assim, antes do dia amanhecer já estávamos com a traia arriada a caminho da Invernada! Às vezes iam dois carros de boi, né e eu sempre ia encolhido num cantinho da esteira, coberto pelo caniço e pensando no calorzinho do alicerce da sua fornalha...
Mas essas lembranças também têm uma parte boa: era quando a gente chegava em casa de volta, muitas vezes já de noite (quando o carro de bois tombava ou encravava), todo mundo varado de fome e, então, tinha aquelas paneladas de arroz, tutu, lingüiça frita e ovo!... Que cheiro delicioso!... Não existe comida mais gostosa em lugar nenhum do mundo!... Eu acho que a senhora deve ser muito boa cozinheira porque, olha que eu já experimentei comida de muito lugares, mas nada se compara com as suas...
Mãe, o resto das coisas aqui em casa vão muito bem, fora a saudade que sentimos da senhora. Os meninos estão todos bem! Uns mais desobedientes que não dão muito valor nas coisas que a senhora sempre falou mas, no fundo, sua renca de menino deu tudo gente boa! Todos os dezessete.
Ah!... Mas tem uns que, de vez em quando, ainda me atentam até hoje! A Mãe Néca dizia que era eu que implicava as meninas, né. Mas, por mais que a senhora tenha pedido, ainda tem gente me chamando de orêiudo, dentudo e até de coisas piores... Mas, não se preocupe! Eu não me importo mais com isso. Já acostumei e nem ligo, mesmo se você ou a Tôca não estiverem por perto pra me protegerem...
Um beijo e fica com Deus, mãe.

Márcio.

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Homenagem dedicada à minha mãe, Isaltina Barbosa Ribeiro. postada por ocasião do aniversário de 32 anos de seu falecimento, ocorrido em primeiro de abril de 1975, aos 52 anos de idade.