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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ser vegano

O primeiro a inventar esse negocio de se tornar vegetariano foi um cara chamado Donald Watson, em 1944.

Paradoxalmente, embora esse sujeito nunca tivesse gozado de boa saúde - sempre foi muito fraco e pálido conforme seus contemporâneos observavam - dizia-se que ele apreciava (às escondidas, é claro) um bom frango assado, peixes e carne bovina. Só não gostava, de verdade, de carne de porco.

Entretanto, Antes do senhor Watson, todo mundo comia carne numa boa, inclusive Jesus Cristo que, com seus discípulos andando pelos desertos do oriente médio, supostamente teria que caçar roedores, repteis e insetos pra comer, como fazem até hoje os viajantes daquelas bandas. Se não fosse assim, morreriam de fome, pois na região não tem verdura nem fruta.

O próprio criador, lá no começo do mundo, deixou claro a sua preferência! Quando Caim lhe fez uma oferenda de cereais, legumes e verduras, Ele detestou! Não deu a mínima. Porém, quando Abel matou a melhor ovelha de seu rebanho e ofereceu a carne e "as gorduras dela", Deus ficou todo feliz (Gênesis,4.4)! 

Em outra ocasião, Deus prometeu ao seu povo, por meio de Moisés, o que há de melhor no mundo: uma terra onde mana leite e mel (Êxodo, 3.8)! Nada de lavouras, hortas e pomares!  

E não é só por esses aspectos doutrinários e religiosos. Vale observar que sem carne a humanidade provavelmente teria sido extinta há pelo menos 80.000 anos, como foi para outras cerca de 22 espécies de hominídeos.

Pois é! Você sabia que na face da terra existiram cerca de 22 espécies de pessoinhas parecidas com a gente, do mesmo gênero dos Primatas, mas apenas uma dessas espécies não foi extinta, o Homo Sapiens?

E sabe porque apenas o Homo Sapiens sobreviveu? Porque ele aprendeu a caçar! Isso mesmo! Ele matava bicho e comia, assim como sempre fizeram os felinos, os canídeos, os répteis, os anfíbios, os insetos, os moluscos, alguns macacos, quase todos os mamíferos e muitas espécies de peixes e aves. Ou seja, quase todos os animais da terra e até algumas plantas carnívoras.

O homo sapiens não foi diferente! Especialmente quando vieram as duas eras do gelo acabando com quase toda a vegetação há cerca de 30.000 e há 18.000 anos atrás; ele e essas outras espécies mais inteligentes se viraram e sobreviveram comendo uns aos outros.

Essa comilança é conhecida como cadeia alimentar, responsável pela existência da vida no planeta e que é resultado de uma estratégia intelectual cognitiva dos animais comedores de carne.

Por isso, hoje são mais de 7 bilhões de descendentes do homo sapiens espalhados por ai, criando e comendo os seus próprios bichos, vacas porcos galinhas, insetos, peixes, etc...

E sabe o que aconteceria se os 7 bilhões de homo sapiens resolvessem se tornar veganos?
A humanidade seria extinta rapidamente!
Isso mesmo! A subsistência de proteínas exclusivamente a partir das mínimas porções que absorveríamos dos vegetais exigiria uma área agrícola pelo menos 25 vezes maior do que a que existe hoje. E infelizmente o planeta não teria terra suficiente e nem comportaria tanta plantação com seus tratores, irrigação, caminhões transportando grãos e gastando petróleo!...

Sem falar da água! Onde arranjariam tanta água pra irrigar esse mundão de lavoura? E os agrotóxicos? Imagina uma quantidade de veneno 25 vezes maior sendo espalhada pelos campos, contraminando os rios, o lençol freático!

E com isso, o que aconteceria com os animais? Já parou pra pensar? Onde eles iriam viver e o que é que eles iriam comer?
Não iriam comer nada, pois não sobraria pra eles! Morreriam todos de fome, assim como toda a humanidade, depois de algum tempo.

Por isso é que não dá pra ser vegano de fato! Seria condenar todos os animais, todas as plantas, todos os seres humanos e toda a vida à extinção!

Ainda bem que o homo sapiens fez a opção correta: Ou seja, aprendeu a fazer uso das proteínas sintetizadas por meio do ciclo Krebbs e do processamento da Amilase (consulte uma boa bibliografia sobre bioquímica e nutrologia pra entender o que é isso). O organismo humano não processa essas coisas. Se processasse a gente poderia comer algodão, papel, madeira, grama, que são constituídos de uma fibra chamada celulose, na qual está concentrada cerca de 80% da energia vital do planeta.

Mas não adianta a gente comer isso, pois o nosso sistema digestivo não digere a celulose. O dos animais herbívoros, sim! Por isso esses animais concentram proteínas a uma taxa cerca de 16 vezes maior do que a quantidade que a gente consegue extrair dos vegetais que comemos.

E só assim, comendo essa proteína concentrada metabolizada pelos animais através do processamento da celulose, é que foi possível à humanidade desenvolver dois fatores vitais à sua própria sobrevivência:
1)          A capacidade de se obter proteína suficiente para sobreviver, proveniente da carne, dos ovos e do leite. Se não fosse assim, nós teríamos comido toda a cobertura vegetal do planeta há 20.000 anos atrás e mesmo assim teríamos morrido de inanição pois, como se diz lá em Minas Gerais, capim é um trem que não sustenta;
2)          O desenvolvimento do Encéfalo, uma parte essencial do cérebro que sustenta a inteligência humana, que só foi possível através da alta concentração proteica na alimentação.

Nem precisa perguntar sobre o quê os 7 bilhões de pessoas iriam usar pra vestir pra se proteger do frio e da chuva, pra calçar os pés, pra fazer sua higiene, etc, sem lã, sem couro, sem as gordura e enzimas extraídas dos animais pra fabricar sabonetes, pastas de dentes, detergentes, perfumes e desinfetantes!

Então, veja bem que pra ser vegano de verdade não pode vestir casaco de couro, nem gorro de lã, nem calçar tênis de couro! Mas também não pode tomar banho, nem escovar os dentes, nem lavar a roupa, nem a louça da pia, tampouco passar perfume, pois os produtos usados são fabricados a partir da morte dos bichinhos!
Comer chocolate, sanduíche de alface e tomate, tomar sorvete, nem pensar, pois tudo depende da lactose e do leite que é roubado dos bezerrinhos.
Sem falar das vacinas e remédios que são produzidos por meio processos de incubação na proteína do ovo, nas enzimas estomacais dos ruminantes, na lactose e no soro sanguíneo de coelhos, depois são testadas em cobaias e ratos. Iam acabar e as epidemias tomariam conta do mundo!

Há outro aspecto que os veganos omitem, mas que não dá pra esquecer. Imaginemos uma hipótese - por mais absurda e insana que seja - na qual a população do mundo se convencesse de que essa ideia é boa e, daí, não abatesse mais nenhum animal. Sabe o que aconteceria? A bicharada proliferaria em escala geométrica e em questão de meses não haveria ração nem pastagem, tampouco espaço suficiente na terra para as vaquinhas, os porquinhos, os carneirinhos, etc.

Daí, eles começariam a invadir as cidades e os jardins, engarrafar o trânsito e encher as ruas de cocô! Logo logo começariam a morrer de fome e as suas carcaças fedidas iriam se espalhar pelas ruas, diante das suas casas. E isso não é tudo: a proliferação dos animaizinhos provocaria um aumento explosivo de gás metano que destruiria a camada de ozônio e... nem precisa contar o resto, né! 

Isso pode até parecer terrorismo psicológico. Mas, de fato, não dá pra pregar o veganismo míope e irresponsável, querendo deixar os pepinos e as batatas quentes nas mãos dos outros. Há que se pensar pragmaticamente e com responsabilidade, avaliando as consequências das nossas próprias ideias.
Ser vegano pode parecer chique, moderno e chamar atenção das pessoas para si. Mas será que é uma ideia sensata?

Saiba mais:

1) A recomendação mais atual da FAO/OMS (Relatório JOINT FAO/WHO "AD HOC" EXPERT COMMITTEE ON ENERGY AND PROTEIN REQUIREMENTS, Geneva, World Health Organization, 1973) aumentou a quantidade necessária de proteína diária de 0,57 g/kg para 0,70 g/kg de peso.
Além disso, recomenda textualmente:

"As proteínas são constituintes INDISPENSÁVEIS ao protoplasma vivo, pois participam de TODOS os processos vitais.

"Das proteínas provêm os aminoácidos necessários tanto para a síntese protéica, que leva à formação de novos tecidos, quanto para a recuperação das proteínas que foram catabolizadas."

"Os aminoácidos não sintetizados pelo organismo (aqueles que a gente precisa ingerir) são chamados AMINOÁCIDOS ESSENCIAIS, pois o organismo não se sustenta sem eles. São em numero de oito: Leucina, Isoleucina, Lisina, Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano e Valina".
"As proteínas do ovo e do leite, além das carnes, fornecem o maior conteúdo de aminoácidos essenciais.

2) A ANVISA apresentou esse teor recomendado pela FAO por meio da Consulta Pública nr. 80, de 17/12/2004, anexando a tabela de referência nutricional da FAO, na qual se deduz (veja legenda do rodapé):
Peso médio do homem adulto brasileiro = 71 kg
Necessidade mínima de proteína diária = 0,70 g por kg de peso (antes de 2004 era considerado 0,57 g por kg)
Isso dá uma média de 50 g por dia.

3) Animais herbívoros, especialmente os ruminantes (bovinos, ovinos, etc...) possuem um sistema digestivo diferente, capaz de processar a celulose e extrair dela as proteínas e carboidratos de que necessitam.
Ao contrário, o sistema digestivo humano não processa a celulose.

4) O organismo humano também digere proteínas vegetais, chamadas proteínas secundárias. Entretanto, essas proteínas só podem ser metabolizadas completamente se forem complementadas com aminoácidos essenciais (de origem animal).
As proteínas secundárias são encontradas basicamente nas leguminosas (feijão, fava, grão de bico, ervilha, lentilha...), castanhas, sementes, etc...


Alimentos que parecem vegetarianos mas não são:



A rigor, no Brasil, praticamente todos os produtos vegetais consumidos no mercado interno são produzidos à custa do emprego de animais nas fazendas, seja na tração animal (arados, carros de boi, carroças, gradeadeiras, carpideiras, engenhos, etc...), seja no transporte pessoal (cavalos, bois e búfalos de monta).
Isso porque cerca de 85% da produção agrícola no Brasil vem da agricultura pequena, média ou familiar que, sabidamente, não dispõe de tratores, caminhões nem automóveis de passeio e, por isso, só conseguem trabalhar à custa do sofrimento dos animais domesticados, mantidos nas propriedades.
E, quem conhece sabe muito bem que não há nenhuma tradição de bons tratos a animais nas regiões rurais brasileiras. Infelizmente, reina o chicote e o ferrão de aço.
Contudo, ainda que estes aspectos não sejam relevantes, pois o mau trato aos animais está distante e talvez não nos sensibilizem, ainda há que se considerar que muitas vezes se come animais por desconhecimento. Veja, por exemplo, os seguintes alimentos:
1)   Açúcar branco (cristal ou refinado): O processo de clareamento, conhecido como “carbonização natural”, consiste na mistura de ossos de vaca carbonizados. O açúcar original, antes dessa carbonização é marrom, quase negro. Ressalte-se que açúcar mascavado e de confeiteiro e também podem conter esse elemento.
2)   Suco de laranja: Para serem comercializados, os sucos de laranja têm a adição de Ômega-3, retirado de anchovas, sardinhas e tilápias. Além disso, a vitamina D adicionada vem da lanolina, retirada da lã de ovelha.
3)   Baunilha: sorvetes, biscoitos e tudo o que traz o “sabor natural” de Baunilha, na verdade é constituído de um líquido perfumado de cor marrom retirado de uma glândula no rabo do castor.
4)   Feijão: A maioria dos restaurantes cozinham o feijão com banha de porco, e como forma de assegurar sabor mais agradável e textura mais consistente.
5)   Banana: Essa fruta deve ser colhida antes de amadurecer, senão desmancharia no transporte. E a única forma de se conseguir a maturação saudável, protegida da ação de fungos, é borrifando um produto chamado quitosana, extraído de caranguejos e camarões.
6)   Pães e biscoitos à base de Bagel: Além de leite, ovos e manteiga, praticamente todos os pães e biscoitos levam este fermento em suas receitas, o qual é produzido a partir de uma enzima conhecida como L. cisteína retirada das asas de galinha ou pato, quando não é feita de cabelo humano.
7)   Doces, balas, chicletes, sorvetes, gelatinas, massas colridas e demais iguarias de cor predominante vermelha: O corante Red Natural #4 (também conhecido como Carmin), usado para dar a cor a estes alimentos é produzido a partir do besouro Cochonilha esmagado. Tritura-se a fêmea desse besouro, que possui uma glândula cheia de ácido carmínico e adiciona esse “caldo” aos alimentos.
8)   Cerveja ou Vinho: Os sabores com notas de groselha, baunilha sentidos em algumas dessas bebidas, provém do processo de clareamento feito à base do colágeno obtido na bexiga de alguns peixes, em especial o esturjão.
9)   Batata chips: são produzidas em processo de fritura industrial na gordura de frango.
10)       Amendoins salgados: A textura e a aderência do sal são conseguidos através da adição de colágeno obtido na trituração de ossos dos pés e tecidos conjuntivos de porco ou vaca.
11)       Margarina Vegetal e Gelatina: São constituídas essencialmente do mesmo colágeno obtido na trituração de ossos dos pés e tecidos conjuntivos de porco ou vaca.

Outros Produtos que parecem vegetarianos mas não são:

Produtos processados a partir de derivados da LACTOSE
Açúcar do Leite)
1) Do Ácido Lactobiônico:
a) detergentes de louças e sabão em pó para uso doméstico;
b) fluidos conservantes de órgãos transplantados;
c) medicamentos com ação de vetorização (que agem diretamente nas células, tecidos ou órgãos;
d) quitosana hidrossolúvel (medicação para tratamento do fígado);
e) fosfato nutricional (suplementos);
f) cosméticos dermatológicos, com ação hidratante, antienvelhecimento, anti-fotoenvelhecimento ou rejuvenescedora;
g) produtos antiacneicos (contra espinhas), pomadas e medicamentos cicatrizantes.

2) Do Lactitol:
a) Adoçante dietético edulcorante;
b) chicletes, biscoitos, bolos, produtos forneados e produtos lácteos de baixo teor calórico;
c) produtos dentais para tratamento preventivos de cáries, para assepsia e desodorantes bucais;
d) medicamentos e produtos dietéticos que agem pelo aumento da bifidobacterias ativas no colón intestinal, destinados à cura de diversas doenças do intestino;
e) fármacos e produtos medicinais laxantes osmóticos.
3) Da Lactases:
a) Medicamentos e produtos laticínios destinados a controlar os resíduos nocivos de outros alimentos no trato intestinal, na cura de intolerância alimentar;

4) Do Acido láctico:
a) farinhas para bolos e pães que contém acidulantes, reguladores de acidez, umectantes e antioxidantes;
b) bebidas (cerveja, vinho, sucos de frutas);
c) alimentos em conservas (azeitonas, palmito, repolho, pepino, etc...);
d) descontaminante e conservante em utensílios de cozinhas industriais destinado a reduzir a infecção por Salmonella e a contaminação por E. coli, dentre outros;
d) cosméticos de ação hidratante e regulador de pH, assim como produtos destinados ao clareamento e hidratação da pele, além da atividade antimicrobiana;
e) emulsificantes e estabilizantes em produtos de higiene pessoal;
f) tecidos de coloração intensa, curtidos e tingidos à base de ácido lacteo.

6) Do Polilactatos (PLA)
a) embalagens de plástico biodegradável, reciclável, bioabsorvível e compostável, transparente, assim como para demais polímeros que exijam capacidade de biocompatibilidade;
b) fibras e têxtil sintéticos;
c) tecidos e implantes ósseos e fios de sutura médica com capacidade bioabsorvível;
d) polímeros biodegradáveis usados na indústria eletrônica.


...

Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.





domingo, 7 de junho de 2015

Orientação Dietética Errada Causou Obesidade e Diabetes

Quatro décadas da Orientação dietética errada causou epidemias de obesidade, diabetes e doenças cardíacas

Em 1967, a Comissão McGovern, presidida pelo então senador George McGovern, emitiu orientações dietéticas propondo a redução do suprimento alimentar da população americana  para, no máximo, 30% de gorduras em geral (era 40%). A orientação tinha como propósito equilibrar o abastecimento, de acordo com a capacidade de mercado.

Contudo, o Dr. Robert Olson, professor de medicina e diretor do Departamento de Bioquímica da Universidade de St. Louis, e especialista em ciência da nutrição alertou que estas recomendações não poderiam ser apoiadas pela ciência, uma vez que se constituiria em um risco para a saúde das pessoas a médio e longo prazo. 

Em suas palavras: "Eu implorei no meu relatório e implorarei novamente oralmente aqui para que se façam mais pesquisas sobre o problema antes de fazer este anúncio para a população americana."
Porém, o senador McGovern, insistiu, alegando que o problema “nunca foi uma questão de ter apoio da ciência”, mesmo sem qualquer respaldo científico que apoiasse as recomendações da comissão. Limitou-se a uma breve referência a um estudo clínico aleatório que acompanhou apenas 2.500 pessoas, no qual não se comprovou, em nenhum aspecto, que uma dieta com pouca gordura tivesse vantagens sobre uma dieta maior teor de gordura.

Ignorou, inclusive, outro estudo apresentado pelo Dr. Olson, comprovando que pessoas com dieta de gordura limitada a, no máximo, 10% tiveram uma maior taxa de morte por diversas causas, incluindo doenças cardíacas e obesidade, em comparação com outras que se alimentaram sem restrição de gorduras.

No entanto, ignorando as recomendações científicas e contrariando as evidências que alertavam para os riscos, 220 milhões de americanos foram orientados a reduzir a sua ingestão de gordura.

Infelizmente, essas orientações não foram apenas erradas! Foram também muito perigosas e prejudiciais à saúde da população! Este fato desencadeou a atual epidemia de Obesidade, de Diabetes Tipo 2, de doenças coronárias e hipertensão, que se propagaram para o mundo inteiro.

Quando os fabricantes de alimentos começaram a reduzir as gorduras dos alimentos, naturalmente o sabor também foi se perdendo. Como saída para compensar este problema, decidiu-se adicionar açúcar. Isto funcionou bem economicamente, uma vez que a frutose e o xarope de milho eram baratos e abundantes nos EUA.

Porém, metabolicamente foi um desastre! Os enormes aumentos de açúcar na dieta da população superaram os limites da capacidade fisiológica do organismo e o resultado foi uma fisiopatologia que assolou a população.

Entenda como isso aconteceu

Os açúcares naturais, como a frutose (das frutas e cereais) a lactose (do leite) são nutrientes saudáveis para o consumo humano. O problema são as quantidades estonteantes contidas nos alimentos processados, sobretudo em refrigerantes, massas e biscoitos.

Tanto o carboidrato das farinhas de cereais quanto as altas quantidades de açúcar adicionadas, causam problemas. O açúcar mais comum, derivado da cana, produzido pelo resultado da adição produtos químicos à sacarose, é ainda mais prejudicial.

O fígado é o único órgão do corpo que pode processar os açúcares. As enormes doses de açúcar naqueles alimentos sobrecarregam a capacidade do nosso fígado, que passa a converter uma quantidade muito maior em glicogênio, que será armazenado em forma de gordura corporal, causando o ganho de peso e demais prejuízos à saúde.

Ou seja, o fígado transforma todo o açúcar que sobra em gordura, por meio de um processo denominado lipogênese de novo (LDN). Em seguida, armazena a gordura em todo o corpo: na barriga, nas nádegas, braços, pernas, etc...

Mas a gordura que vemos - aquela que nos transforma em pessoas obesas - não é o maior problema. O maior problema é a gordura que não vemos: aquela que é fabricada pelo fígado e que, em quantidades demasiadas, faz com que o fígado torne-se insensível aos sinais da insulina. Isto é conhecido como a resistência à insulina. A insulina é o hormônio que regula o metabolismo de carboidratos e gorduras. Como tal, é o principal hormônio responsável pelo uso de energia e armazenamento de gorduras no corpo.

O fígado usa os açúcares que nós ingerimos como matéria prima para fabricar essa gordura.
Quando o fígado torna-se resistente à insulina, uma avalanche de eventos perigosos é desencadeada, resultando em diabetes, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, obesidade e hipertensão. O pâncreas reage à insensibilidade do fígado à insulina, produzindo mais insulina, começando um círculo vicioso muito prejudicial. Daí, vem a obesidade, o Diabetes, que pode levar às amputações, cegueira e diálise renal.

Por meio da metabolização do açúcar, o fígado produz também as gorduras saudáveis, necessárias ao nosso organismo. Mas o excesso de açúcar ingerido leva à produção de gorduras não saudáveis que podem ficar incrustadas nas paredes de nossas artérias, bloqueando a circulação e causando ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (derrame).

Portanto, a gordura é o problema. Mas não é a gordura que você come e sim a gordura produzida pelo seu fígado, quando este é sobrecarregado com uma enorme carga de açúcar!

Hora de mudar os conceitos

A comunidade médica está começando a reconhecer que o velho paradigma está desmoronando.

Em março de 2015, a Mayo Clinic Proceedings publicou um artigo intitulado "Acrescentou Açúcar: Um driver principal da Diabetes Mellitus Tipo 2 e suas conseqüências". O artigo mostra que cada um de nós, em média, consome 30 vezes mais açúcar adicionado do que consumia há dois séculos.

Outro artigo de revisão publicado em abril de 2015, na revista médica Cirurgia Hepatobiliary e Nutrição, teve o provocativo título de "A ingestão de carboidratos e doença hepática gordurosa não alcoólica: açúcar como arma de destruição em massa". O açúcar foi identificado como o principal culpado da obesidade, doenças do fígado, da diabetes do tipo 2, doença da artéria coronária e apoplexia.

O médico brasileiro Dráuzio Varela, em sua página Os Prazeres da Carne observa que, ao longo de mais de 30 anos, enquanto os americanos conseguiram diminuir o consumo de gordura animal em 17% (reduzindo de 40% para 34% da dieta diária), o índice de obesidade subiu 57% (de 14% para 22% da população), ao mesmo tempo em que se registrou um vertiginoso aumento dos casos de Diabetes, Hipertensão e doenças cardiovasculares.

Um dos líderes nesse campo, o Dr. James J. DiNicol antonio, publicou esta matéria no British Medical Journal: "...A epidemia global de aterosclerose, doença cardíaca, diabetes, obesidade e síndrome metabólica está sendo impulsionada por uma dieta rica em hidratos de carbono (açúcar ao invés de gordura), uma revelação que estamos apenas começando a aceitar."

Agora, o chamado paradoxo francês faz sentido. Franceses com sua alta ingestão de alimentos gordurosos, como queijos e frois grãs, não apresentam doenças coronárias nem obesidade na mesma proporção. Isso confirma o que já sabíamos: a ingestão de gordura não causa obesidade nem doença arterial coronariana.

Apesar de uma grande parte da comunidade científica e médica ainda permanecer alienada pelos conceitos retrógrados e equivocados do citado aconselhamento dietético errado, há uma crescente conscientização que tende a reverter o problema. Já é tempo de os Centros de Controle de Doença, a American Heart Association, a American Diabetes Association e a medicina convencional reverem as orientações e demonizar açúcar, o verdadeiro culpado, e absolver as gorduras.

Resumindo:
GORDURAS:
São processadas pelo metabolismo em forma aminoácidos e energia.
Não engordam e não causam diabetes nem doenças coronárias.

AÇÚCARES E MASSAS:
São digeridos e transformados em gordura pelo fígado.
Engordam e causa doenças
Lamentavelmente, ainda existem interesses poderosos que serão ameaçadas pela verdade científica. Existe uma gigantesca indústria alimentar global que promove o consumo de uma dieta de alto teor de açúcar. Mas, quanto tempo vai levar para percebermos que é o açúcar, e não a gordura, que está nos matando? Quantas pessoas ainda vai ter que sucumbir à devastação de uma dieta rica em açúcar?

Façamos a nossa parte! Paradigmas velhos morrem. Galileo passou os últimos seis anos de sua vida em prisão domiciliar pela heresia de acreditar que a Terra não é o centro do universo. Durante o tempo de Galileu, a Igreja Católica era todo poderosa e condenou as ideias de Galileu como heréticas porque a ciência era contrariada.

Recomendações dietéticas:
  1. Comece evitando todos os açúcares adicionados, especialmente de açúcar líquido como refrigerantes.
  2. Coma frutas, preferencialmente inteiras e não o suco, que concentra o açúcar e remove a fibra benéficas.
  3. As escolha pessoais são apenas uma pequena parte do que precisamos fazer. Precisamos fazer a escolha saudável, a escolha fácil.
  4. Precisamos permitir liberdade aos nossos hospitais, clínicas, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos de saúde para se livrarem e desaconselharem alimentos e bebidas com adição de açúcar. Precisamos fazer o mesmo com as escolas, creches, repartições públicas, estado, etc...
  5. Precisamos de um imposto nacional para refrigerantes, como no México, com os recursos investidos em programas para reduzir a adição e o consumo de açúcar. Está funcionando no México. Precisamos aprender.
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Ipanema- RJ, 1975.

Ipanema - RJ, 1975.

Ipanema - RJ, 2015.

Ipanema - RJ, 2015.

* Malcyn Dukya é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, ex Coordenador Geral de Modernização e Tecnologia nos Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Músico Amador, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M∴ 

Colaboração e Orientação: Doutor Erik Neves, Médico Especialista em Nutrologia Esportiva
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Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, Diplomado da Escola Superior de Guerra, M∴M∴, Escritor, Músico Amador, Meio-Maratonista, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia.