quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Eixo Rodoviário de Brasília: Eixão da Morte?

O Eixo Rodoviário de Brasília, conhecido como Eixão, é a via expressa que atravessa longitudinalmente toda a extensão do Plano Piloto - Asa Sul e Asa Norte. Ao longo de seus quase 16 Km, dispões de três pistas de rolamento em cada sentido de trânsito, com excelente pavimentação e sinalização, além de uma faixa intermediária com cerca de 4 m de largura no cento da via, denominada "Faixa Presidencial".

É uma via que se destaca tanto pela sua arquitetura e engenharia sofisticadas, quanto pelas belezas naturais e urbanísticas ao longo de suas margens. Aos domingos e feriados o trânsito de veículos é fechado em toda a extensão da via, que passa a ser desfrutada pela população com a prática de esportes, lazer, manifestações artísticas e shows, num evento conhecido como "Eixão do Lazer", já incorporado à cultura da cidade de Brasília.

A despeito de todas essas qualidades, esta é uma estrada que padece de um desagradável estigma: Cada vez que acontece um acidente nesta via, imediatamente registra-se um verdadeiro alvoroço no noticiário local, sempre com os mesmos chavões, do tipo "Eixão da Morte", "Fechem o Eixão", "Via Assassina", "Mureta no Eixão", etc, etc...
Invariavelmente essa onda difamatória, encabeçada pelo jornal local, Correio Braziliense, e seguida fielmente pelo telejornal DF-TV da Rede Globo, dissemina um verdadeiro horror na população e contagiando instantaneamente os pouco ocupados políticos locais, assim como tantas outras lideranças públicas e formadores de opinião.
Ato contínuo, sem qualquer análise crítica minimamente criteriosa, esses personagens passam a protagonizar euforicamente uma espécie de campanha contra o Eixão! Imediatamente aparecem os pseudoespecialistas de plantão oferecendo seus palpites e tentando mostrar suas propostas e sugestões, cada qual mais improvisada e impetuosa, inclisive muitas insanas e tolas, sem qualquer critério lógico.

No entanto, tudo isso decorre do fato de que o Eixão é uma vitrine perfeita para quem quer atrair holofotes e chamar a atenção da população incauta! Coisas típicas de jornalistas neófitos, correndo pra tentar "emplacar uma primeira página"!... E, lamentavelmente, a esmagadora maioria dos leitores não possui discernimento suficiente para perceber que essas matérias são desprovidas de análise e de fundamentos, além de serem tendenciosas, muitas vezes.
Bastaria uma simples avaliação dos dados disponíveis para se perceber que tamanho alarde é impertinente. Pois, vejamos:
1)   A última morte no Eixão aconteceu em Abril/2011 - há mais de sete meses, sendo que a média nesta via tem sido de cerca de uma morte a cada 15 meses (Ou seja, nos 16 Km do Eixão morre menos de 1 pessoa por ano, em média);
2)   O DF possui outros 1.660 km de vias e TODAS, isso mesmo, TODAS ELAS oferecem condições de tráfego e de segurança muito inferiores ao Eixão. Ou seja, são piores que o Eixão sob todos os aspectos;
3)   Nesses outros 1.660 km morrem, em média, 480 pessoas por ano;
4)   Isto significa que, proporcionalmente, as demais vias matam quase cinco vezes mais do que o Eixão. Se fossem feitas comparações com trechos específicos, seguramente identificar-se-iam vias com índice de mortalidade dez vezes ou mais superiores ao do Eixão.
Como exemplo, há pouco menos de três meses morreram 5 pessoas de uma mesma família, inclusive duas crianças pequenas, na via que liga o Plano Piloto ao Gama. Pouco antes disso morreram 12 pessoas em dois acidentes na via de acesso a Brazlândia. São tragédias infinitamente mais graves do que os raros casos isolados que acontecem no Eixão e que não mereceram qualquer destaque da imprensa local que, paradoxalmente, sequer  cogitou a necessidade de se melhorar as condições daquelas vias, tampouco de se colocar muretas de proteção ou coisa que o valha.
Entretanto, no Eixão, que é, sem sombra de dúvidas, a melhor e mais bem pavimentada via do Distrito Federal, basta acontecer uma imprudência, uma batida mais grave, que o chavão volta à mídia: "Fechem o Eixão da Morte", "Coloquem Mureta no Eixão". Ora, nem a Autobahn, a melhor e mais tecnológica estrada do mundo, construída para se trafegar a 250, 300 km/h dispõe de mureta dividindo suas faixas. Em alguns trechos h, no máximo, um simples guard rail na margem.

Além disso, construir a cogitada mureta ocupando ou dividindo a chamada faixa presidencial do Eixão seria uma perda importante, pois aquela faixa é um diferencial que favorece, sobretudo à segurança da pista, conforme veremos mais adiante.
As demais vias do DF, estas sim, podem ser chamadas de pistas assassinas ou estradas da morte, assim como a imensa maioria das estradas brasileiras. Porém, o Eixão, definitivamente, não. Além de ser a melhor e mais bem equipada via do DF – quiçá do Brasil – preserva diferenciais de segurança e trafegabilidade únicos. Vejam:
1)    Não tem subida;
2)    Não tem descida;
3)    Não tem precipício, desnível nem barranco nas margens;
4)    Não tem curvas;
5)    Dispões de 6 faixas - três em cada pista, com uma pavimentação
       de altíssima qualidade;
6)   Oferece um espaço estratégico de quase 4 metros entre as pistas
      (a chamada Faixa Presidencial), muito útil tanto para escape em
      eventuais panes ou acidentes quanto para socorro a vítimas.
Quanto à tão combatida Faixa Presidencial, além de conferir um diferencial de charme e amplitude de espaço à via, constitui-se num elemento bastante útil e estratégico, conforme veremos:
1)   Supre perfeitamente a falta de acostamento nas necessidades de
      paradas emergenciais, sem obstruir o trânsito;
2)   Permite às viaturas oficiais se posicionarem ou transitarem livremente
      no exercício das funções de fiscalização e controle de tráfego;
3)   Permite o socorro e resgate de veículos, sobretudo, de vítimas,
      independente do trânsito estar engarrafado nas vias normais.
São incontáveis os casos de salvamentos de vidas quando, após graves acidentes, o congestionamento que imediatamente se forma em todas as vias da região teria impedido o imediato resgate de vítimas por terra, tendo sido possível tão somente porque a viatura fez uso da Faixa Presidencial. Não seria incoerente estimar-se que para cada morte ocorrida nos trágicos acidentes do Eixão, pelo menos uma ou duas vidas foram salvas graças à Faixa Presidencial, que é livremente utilizada pelas ambulâncias de resgate, mesmo sob engarrafamento absoluto nas vias comuns.
Há repórteres do jornal Correio Brazilense pregando, inlcusive, a redução do limite de velocidade para 60 Km como solução para os problemas de transito e eventuais acidentes no Eixão, como se isso fizesse algum sentido. Ora, se os apressadinhos não têm paciência (nem educação) sequer para respeitar o limite de 80 Km/h, acreditar-se que estes mesmos, além de muitos outros menos apressadinhos, vão respeitar um limite de 60 km/h, seria uma ingenuidade infantil!
Na verdade, a imprudência, a ignorância e a desinformação são as grandes mazelas do trânsito de Brasília e do Brasil. E, infelizmente, para muitos motoristas, essa imprudência é tamanha que a mureta só seria uma solução se fosse construída na frente das suas garagens, impedindo definitivamente que saíssem às ruas.



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