quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Deus falando com você

Hei, você!
Para de ficar rezando, batendo no peito e repetindo frases alheias decoradas. Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios, que alguém por aí construiu e vem dizendo que é minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias e por aí, por esse Universo afora.

Para de me culpar por essa sua vida miserável! Eu nunca te disse que você é ruim, ou que é um pecador, nem que sua sexualidade é algo sujo e pecaminoso.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Eu não escrevi e nem pedi que escrevessem isso. E você não me encontrará em nenhum livro!

Confia em mim e para de me pedir misericórdia e privilégios exclusivos. Você não é melhor que seu irmão que você critica, portanto, não queira me ensinar como fazer meu trabalho em relação a vocês. E para de ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Fui eu quem te fiz assim, cheio de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências. Não é culpa sua! Como eu poderia te castigar por você ser como é, se fui Eu mesmo quem te fez?

Fala sério! Você acredita mesmo que eu poderia criar um lugar para queimar, pelo resto da eternidade, todos meus filhos que fizeram isso ou que deixaram de fazer aquilo? Eu te dei o livre arbítrio pra você mesmo fazer uso. E eu sou Deus, sou Pai! Que tipo de pai poderia fazer isso? Deixe de bobagens!

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei sagrada! São tudo artimanhas inventadas para te manipular e para te controlar, que só geram culpa em você.

Para de simular fé e de dizer que crê em mim. Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero ser uma crença para ninguém. Eu sou de verdade! Basta olhar em volta e me verá e podes me sentir quando beijar sua amada, quando agasalhar sua filhinha, quando abraçar seu filho, quando acariciar seu cachorro, quando tomar banho no mar e quando contemplar o  firmamento.

Para de me louvar! Que tipo de Deus ególatra e vaidoso você pensa que eu sou? Não me louve e não me agradeça. Se pensa que com isso, afagas meu ego e me cativa, se engana! Eu sou maior que você e sua bajulação me aborrece!

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim, pois te ensinaram tudo errado. A única certeza que te deixei é que você está aqui, que está vivo, e que Eu deixei este mundo e o Universo inteiro cheios de maravilhas para que você ame e contemple. 

Então, para que você ainda quer mais milagres? O pouco que lhe falta, eu lhe deixei os recursos para você mesmo conquistar. Por que quer tantas explicações sobre mim, se ainda nem conheceu seu semelhante? E para que viver a vida toda me buscando por aí, através de quem te engana em meu nome, se eu estou justamente dentro de você?

(Do pensamento de Baruch Espinoza, filósofo, cientista, teólogo e sociólogo holandês (1632/1677)

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, Mestre em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Sociologia, História Política e Social e Nutrologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M∴




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