quinta-feira, 29 de junho de 2017

Curcuma, o Açafrão da Terra.

O Açafrão é uma herbácea da família do gengibre (Zingiberaceae), originária da Índia, conhecido nas diversas regiões do Brasil como Gengibre Amarelo, Açafrão da Terra, Açafrão da Índia, Açafroa, Raiz de Sol, Turmérico, Cúrcuma Longa ou simplesmente Cúrcuma.

Usado há pelo menos 3.500 anos na Índia, não só como uma iguaria responsável por conferir sabor, aroma e cor especiais a uma infinidade de pratos, o Açafrão também é rico em Cálcio, Magnésio, Manganês, Fósforo, Potássio, Zinco, Vitamina A, Vitamina C, Tiamina, Niacina, Felato e Vitamina E, além de uma série de compostos ativos com importantes propriedades medicinais. Dentre estes, destaca-se a Curcumina, um Polifenol de cor alaranjada intensa, que constitui de 2 a 3% da polpa útil da raiz, com potentes efeitos antioxidantes, anticancerígenos e anti-inflamatórios.
PRINCIPAIS APLICAÇÕES MEDICINAIS DA CURCUMINA


1) Nos processos inflamatórios diversos

As inflamações crônicas (de longa duração), sobretudo aquelas que acometem os Sistemas Nervoso, Cardiovascular e Linfático, são responsáveis pelas doenças mais severas e de maior incidência no mundo atualmente, incluindo infartos, AVC, Câncer, Síndrome Metabólica, Alzheimer, Parkinson, dentre outras de natureza degenerativa.

Evitar e combater estes processos inflamatórios seria a solução definitiva para prevenir e tratar tais doenças. Nessa linha, diversas pesquisas demonstram a ação anti-inflamatória da Curcumina que, agindo em nível molecular, nas várias etapas da inflamação, bloqueia a molécula NF-kB, que é responsável por desencadear as inflamações no organismo.

Tanto nas aplicações tópicas sobre afecções externas, quanto ingerida, a Curcumina superou as medicações convencionais no tratamento de praticamente todas as doenças de origem inflamatória (vide "Fontes de Pesquisa", abaixo), além de combater os efeitos secundários, como náuseas e sangramentos.
2) Na redução do risco de doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares (Infarto e AVC), são os maiores assassinos do Planeta. Pesquisas demonstram que a causa dessas doenças são os processos inflamatórios do endotélio - o revestimento interno dos vasos sanguíneos. Este tecido, quando submetido à inflamação, torna-se ineficiente na condução do fluxo sanguíneo e na  regulação da pressão arterial, passando a acumular placas de gordura, que causam o entupimento e a ruptura das artérias. A surpreendente ação anti-inflamatória da Curcumina agindo no endotélio, previne e combate esses danos.

Uma pesquisa com pacientes submetidos a cirurgia de revascularização reduziu em 65% os ataques cardíacos, superando em muito o resultado dos controversos tratamentos à base de estatinas.

3) Intensificação das funções neurológicas, cerebrais e de raciocínio e redução do risco de doenças do sistema nervoso

Contrariando uma crença antiga, os neurônios não só podem formar conexões novas, como também podem se multiplicar, se forem devidamente estimulados. E o principal impulsionador da multiplicação de neurônios é conhecido como Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), um tipo de hormônio que atua no cérebro. Vários distúrbios neurológicos, como Depressão, Parkinson e Alzheimer estão associados à redução do BDNF.

Curiosamente, diversas pesquisas constataram que a Curcumina pode aumentar os níveis do BDNF no cérebro, melhorando as funções cerebrais e retardando ou revertendo o acometimento de doenças.

4) Depressão e funções cognitivas

Uma experiência com sessenta pacientes com Depressão intensa demonstrou que a ingestão de Curcumina obteve os mesmos resultados do Prozac, sem os efeitos colaterais nocivos e com resultados mais prolongados.

Considerando que a Depressão está relacionada aos baixos níveis do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro – BNDF e que, comprovadamente, a Curcumina aumenta a produção desse hormônio, isto justifica o resultado da pesquisa.

Outra importante justificativa reside no fato de que a Curcumina aumenta também os níveis de Serotonina e Dopamina, que são os hormônios responsáveis pelas sensações de prazer, alegria, auto estima e bem estar, aumentando a motivação e combatendo a ansiedade e a Depressão (Veja mais em "O Metabolismo da Depressão").

Complementarmente, o estímulo do funcionamento cerebral e do aumento da quantidade de neurônios propiciado pela presença da Curcumina, com potencial efeito no processos de raciocínio e na memória, também contribuem para estes resultados.

5) Prevenção e tratamento de Câncer

Há várias formas de câncer e, para a maioria delas, há experimentos científicos demonstrando resultados positivos devido a suplementação de Curcumina. Esta substância age no nível molecular do  tecido afetado, reduzindo o crescimento, o desenvolvimento e a disseminação da doença.

Isto ocorre porque a Curcumina reduz a angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos em tumores), e contribui para a destruição de células cancerosas, evitando a metástases (disseminação de câncer).

Algumas conclusões científicas complementares ainda encontram-se em estudo, porém não há dúvidas de que a Curcumina, em doses elevadas, sobretudo com a utilização de intensificador de absorção, como a pimenta do Reino, reduz estatisticamente a incidência e o número de lesões cancerígenas em pelo menos 40% dos casos testados.

6) Ação antioxidante

O envelhecimento das moléculas que compõem as células do corpo provoca a degeneração natural do organismo, causando o envelhecimento do corpo. Este processo acontece pela ação de moléculas de potencial energético “desgastado”, conhecidas como “radicais livres”.

Entretanto, há substâncias cujas moléculas possuem potencial energético capaz de neutralizar a ação dos radicais livres. A Curcumina é uma dessas substâncias, com potencial extraordinário contra esses agentes, uma vez que age em duas frentes: além de bloquear a ação dos radicais livres, estabelecendo o equilíbrio energético das suas moléculas, também estimula a produção das enzimas do próprio corpo, melhorando fortemente os mecanismos antioxidantes naturais do organismo.

7) Artrites e doenças Reumáticas

Há vários tipos de artrites, porém todas se traduzem em inflamações nas articulações. Por isso, o potente efeito anti-inflamatório da Curcumina é muito eficiente, tendo demonstrado resultados mais eficazes do que as medicações convencionais no tratamento das artrites reumatoides.

8) Tratamento da doença de Alzheimer

A principal causadora de demência e a doença degenerativa de maior incidência no mundo, ainda não tem tratamento clínico. Por isso, a prevenção torna-se a única alternativa possível.

É sabido que as causas são relacionadas a processos inflamatórios dos neurônios e do sistema nervoso central, associado à ação oxidante dos chamados radicais livres. Nessa linha, a Curcumina demonstrou ter superado as barreiras celulares neurológicas e evitar, tanto os processos inflamatórios, quanto o dano oxidativo, retardando e controlando a doença.

Sabe-se, também, que um certo acúmulo de proteínas chamadas Placas Amyloide é um dos principalis agravante desse processo, senão o maior causador. Contudo, estudos demonstram que a Curcumina também produz resultados positivos importantes, limpando esse acúmulo de proteínas.

9) Desconfortos do Sistema Digestivo

A ação da Curcumina estimula o funcionamento de algumas glândulas e do sistema linfático, ocasionando o aumento da produção de Bilis pelo Fígado, o que previne e alivia náuseas, indisposição estomacal e flatulências, dentre outros desconfortos do processo digestivo.

10) Afecções da pele

As propriedades antissépticas e antibacterianas da Curcumina funcionam como desinfetante na assepsia de regiões da pele afetadas por eczemas, coceiras, queimadura e ferimentos em geral. Adicionalmente, o efeito cicatrizante restaura os tecidos e propicia alívio definitivo.

11) Diabetes tipo 2

Um estudo publicado no Jornal Diabetes concluiu que a Curcumina pode ajudar no controle dos níveis de glicose no sangue, reduzindo em até 16,4% o risco de que a doença evolua em pessoas pré-diabéticas. Isto ocorre porque a Curcumina melhora as funções responsáveis pela produção, armazenamento e liberação de insulina no Pâncreas.

12) Como fazer uso da Curcumina

Recomenda-se, em média, de 15 a 50 mg de Curcumina (essência ativa pura). Essa quantidade equivale de 500 a 1.500 mg de Açafrão em pó, tomados diariamente, o que se torna impraticável, apenas usando o Açafrão como condimento nas refeições. Logo, é mais conveniente fazer a suplementação, tomando de uma a até três cápsulas de 500 mg de Açafrão ao dia ou ingerindo à parte (cada colherinha de chá contém aproximadamente 1.500 mg). Em casos de tratamento de doenças já instaladas, recomenda-se orientação médica, a fim de aumentar substancialmente a dosagem.
A absorção da Curcumina pelo organismo é de baixa eficiência. No entanto, estudos demonstraram que a associação com a Piperina pode aumentar em até 20 vezes essa eficiência. Por isso, recomenda-se associar de 30 a 50 mg de Pimenta do Reino moída, que também pode ser manipulado em cápsulas. Registre-se que a Piperina potencializa também a absorção das Vitaminas A, B6, C, além do Selênio e da Coenzima-Q10.

Fontes de pesquisa:
Como Anti-inflamatório
Nas doenças cardiovasculares
Nas funções neurológicas, memória e função cognitiva
Como Antidepressivo
Na prevenção e tratamento do Câncer
Na ação antioxidante
Contra Artrites e doenças Reumáticas
No Tratamento de Alzheimer
Fontes Complementares



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* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, MM

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