domingo, 7 de junho de 2015

Orientação Dietética Errada Causou Obesidade e Diabetes

Quatro décadas da Orientação dietética errada causou epidemias de obesidade, diabetes e doenças cardíacas

Em 1967, a Comissão McGovern, presidida pelo então senador George McGovern, emitiu orientações dietéticas propondo a redução do suprimento alimentar da população americana  para, no máximo, 30% de gorduras em geral (era 40%). A orientação tinha como propósito equilibrar o abastecimento, de acordo com a capacidade de mercado.

Contudo, o Dr. Robert Olson, professor de medicina e diretor do Departamento de Bioquímica da Universidade de St. Louis, e especialista em ciência da nutrição alertou que estas recomendações não poderiam ser apoiadas pela ciência, uma vez que se constituiria em um risco para a saúde das pessoas a médio e longo prazo. 
Em suas palavras: "Eu implorei no meu relatório e implorarei novamente oralmente aqui para que se façam mais pesquisas sobre o problema antes de fazer este anúncio para a população americana."
Porém, o senador McGovern, insistiu, alegando que o problema “nunca foi uma questão de ter apoio da ciência”, mesmo sem qualquer respaldo científico que apoiasse as recomendações da comissão. Limitou-se a uma breve referência a um estudo clínico aleatório que acompanhou apenas 2.500 pessoas, no qual não se comprovou, em nenhum aspecto, que uma dieta com pouca gordura tivesse vantagens sobre uma dieta maior teor de gordura.
Ignorou, inclusive, outro estudo apresentado pelo Dr. Olson, comprovando que pessoas com dieta de gordura limitada a, no máximo, 10% tiveram uma maior taxa de morte por diversas causas, incluindo doenças cardíacas e obesidade, em comparação com outras que se alimentaram sem restrição de gorduras.
No entanto, ignorando as recomendações científicas e contrariando as evidências que alertavam para os riscos, 220 milhões de americanos foram orientados a reduzir a sua ingestão de gordura.
Infelizmente, essas orientações não foram apenas erradas! Foram também muito perigosas e prejudiciais à saúde da população! Este fato desencadeou a atual epidemia de Obesidade, de Diabetes Tipo 2, de doenças coronárias e hipertensão, que se propagaram para o mundo inteiro.
Quando os fabricantes de alimentos começaram a reduzir as gorduras dos alimentos, naturalmente o sabor também foi se perdendo. Como saída para compensar este problema, decidiu-se adicionar açúcar. Isto funcionou bem economicamente, uma vez que a frutose e o xarope de milho eram baratos e abundantes nos EUA.
Porém, metabolicamente foi um desastre! Os enormes aumentos de açúcar na dieta da população superaram os limites da capacidade fisiológica do organismo e o resultado foi uma fisiopatologia que assolou a população.

Entenda como isso aconteceu

Os açúcares naturais, como a frutose (das frutas e cereais) a lactose (do leite) são nutrientes saudáveis para o consumo humano. O problema são as quantidades estonteantes contidas nos alimentos processados, sobretudo em refrigerantes, massas e biscoitos.
Tanto o carboidrato das farinhas de cereais quanto as altas quantidades de açúcar adicionadas, causam problemas. O açúcar mais comum, derivado da cana, produzido pelo resultado da adição produtos químicos à sacarose, é ainda mais prejudicial.
O fígado é o único órgão do corpo que pode processar os açúcares. As enormes doses de açúcar naqueles alimentos sobrecarregam a capacidade do nosso fígado, que passa a converter uma quantidade muito maior em glicogênio, que será armazenado em forma de gordura corporal, causando o ganho de peso e demais prejuízos à saúde.
Ou seja, o fígado transforma todo o açúcar que sobra em gordura, por meio de um processo denominado lipogênese de novo (LDN). Em seguida, armazena a gordura em todo o corpo: na barriga, nas nádegas, braços, pernas, etc...
Mas a gordura que vemos - aquela que nos transforma em pessoas obesas - não é o maior problema. O maior problema é a gordura que não vemos: aquela que é fabricada pelo fígado e que, em quantidades demasiadas, faz com que o fígado torne-se insensível aos sinais da insulina. Isto é conhecido como a resistência à insulina. A insulina é o hormônio que regula o metabolismo de carboidratos e gorduras. Como tal, é o principal hormônio responsável pelo uso de energia e armazenamento de gorduras no corpo.
O fígado usa os açúcares que nós ingerimos como matéria prima para fabricar essa gordura.
Quando o fígado torna-se resistente à insulina, uma avalanche de eventos perigosos é desencadeada, resultando em diabetes, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, obesidade e hipertensão. O pâncreas reage à insensibilidade do fígado à insulina, produzindo mais insulina, começando um círculo vicioso muito prejudicial. Daí, vem a obesidade, o Diabetes, que pode levar às amputações, cegueira e diálise renal.
Por meio da metabolização do açúcar, o fígado produz também as gorduras saudáveis, necessárias ao nosso organismo. Mas o excesso de açúcar ingerido leva à produção de gorduras não saudáveis que podem ficar incrustadas nas paredes de nossas artérias, bloqueando a circulação e causando ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (derrame).
Portanto, a gordura é o problema. Mas não é a gordura que você come e sim a gordura produzida pelo seu fígado, quando este é sobrecarregado com uma enorme carga de açúcar!


Hora de mudar os conceitos


A comunidade médica está começando a reconhecer que o velho paradigma está desmoronando.

Em março de 2015, a Mayo Clinic Proceedings publicou um artigo intitulado "Acrescentou Açúcar: Um driver principal da Diabetes Mellitus Tipo 2 e suas conseqüências". O artigo mostra que cada um de nós, em média, consome 30 vezes mais açúcar adicionado do que consumia há dois séculos.

Outro artigo de revisão publicado em abril de 2015, na revista médica Cirurgia Hepatobiliary e Nutrição, teve o provocativo título de "A ingestão de carboidratos e doença hepática gordurosa não alcoólica: açúcar como arma de destruição em massa". O açúcar foi identificado como o principal culpado da obesidade, doenças do fígado, da diabetes do tipo 2, doença da artéria coronária e apoplexia.

O médico brasileiro Dráuzio Varela, em sua página Os Prazeres da Carne observa que, ao longo de mais de 30 anos, enquanto os americanos conseguiram diminuir o consumo de gordura animal em 17% (reduzindo de 40% para 34% da dieta diária), o índice de obesidade subiu 57% (de 14% para 22% da população), ao mesmo tempo em que se registrou um vertiginoso aumento dos casos de Diabetes, Hipertensão e doenças cardiovasculares.

Um dos líderes nesse campo, o Dr. James J. DiNicol antonio, publicou esta matéria no British Medical Journal: "...A epidemia global de aterosclerose, doença cardíaca, diabetes, obesidade e síndrome metabólica está sendo impulsionada por uma dieta rica em hidratos de carbono (açúcar ao invés de gordura), uma revelação que estamos apenas começando a aceitar."

Agora, o chamado paradoxo francês faz sentido. Franceses com sua alta ingestão de alimentos gordurosos, como queijos e frois grãs, não apresentam doenças coronárias nem obesidade na mesma proporção. Isso confirma o que já sabíamos: a ingestão de gordura não causa obesidade nem doença arterial coronariana.

Apesar de uma grande parte da comunidade científica e médica ainda permanecer alienada pelos conceitos retrógrados e equivocados do citado aconselhamento dietético errado, há uma crescente conscientização que tende a reverter o problema. Já é tempo de os Centros de Controle de Doença, a American Heart Association, a American Diabetes Association e a medicina convencional reverem as orientações e demonizar açúcar, o verdadeiro culpado, e absolver as gorduras.

Resumindo:
GORDURAS:
São processadas pelo metabolismo em forma aminoácidos e energia.
Não engordam e não causam diabetes nem doenças coronárias.
AÇÚCARES E MASSAS:
São digeridos e transformados em gordura pelo fígado.
Engordam e causa doenças
Lamentavelmente, ainda existem interesses poderosos que serão ameaçadas pela verdade científica. Existe uma gigantesca indústria alimentar global que promove o consumo de uma dieta de alto teor de açúcar. Mas, quanto tempo vai levar para percebermos que é o açúcar, e não a gordura, que está nos matando? Quantas pessoas ainda vai ter que sucumbir à devastação de uma dieta rica em açúcar?
Façamos a nossa parte! Paradigmas velhos morrem. Galileo passou os últimos seis anos de sua vida em prisão domiciliar pela heresia de acreditar que a Terra não é o centro do universo. Durante o tempo de Galileu, a Igreja Católica era todo poderosa e condenou as ideias de Galileu como heréticas porque a ciência era contrariada.

Conselhos dietéticos:
  1. Comece evitando todos os açúcares adicionados, especialmente de açúcar líquido como refrigerantes.
  2. Coma frutas, preferencialmente inteiras e não o suco, que concentra o açúcar e remove a fibra benéficas.
  3. As escolha pessoais são apenas uma pequena parte do que precisamos fazer. Precisamos fazer a escolha saudável, a escolha fácil.
  4. Precisamos permitir liberdade aos nossos hospitais, clínicas, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos de saúde para se livrarem e desaconselharem alimentos e bebidas com adição de açúcar. Precisamos fazer o mesmo com as escolas, creches, repartições públicas, estado, etc...
  5. Precisamos de um imposto nacional para refrigerantes, como no México, com os recursos investidos em programas para reduzir a adição e o consumo de açúcar. Está funcionando no México. Precisamos aprender.

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Orientação: Doutor Erik Neves, Médico Especialista em Nutrologia Esportiva
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