sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Objetos voadores não identificados - OVNI

Diferente da grande maioria de experiências de avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados, nas quais os protagonistas descrevem a visão de meras luzes estranhas no céu, eu vi uma nave metálica no ar, concreta e nítida, a curta distância, com características extraordinárias e realizando performances absolutamente impossíveis e inimagináveis.

Por isso, ao longo de quase cinquenta anos essa experiência vem me intrigando, pois eu sei que há algo inexplicado e tecnicamente considerado absurdo que, embora seja negado pela ciência e até ridicularizado pelos meios de comunicação, eu sei que existe, pois eu vi!...
Uma das coisas que mai me deixa indignado é a postura dos governos da maioria dos países, assim como da mídia e da comunidade científica que omitem, negam os fatos, se fazem de bobos, quando não tentam ridicularizar esse fenômeno. Governos temem admitir a existência de algo muito superior, totalmente fora de seu controle e que, por essa razão, colocaria em xeque o poder e a proteção do estado sobre a população. A ciência, por sua vez, presa aos paradigmas que admitem apenas aquilo que é compreendido, negando todo o resto. A mídia é "maria vai com as outras"... 
Por sorte, atualmente vem surgindo, cada vez mais, iniciativas de organizações e pessoas abertos à discussão e que buscam meios próprios para investigar e tentar explicar esses fenômenos.

Particularmente, apesar de acreditar que pelo menos 80% dos casos sejam mera especulação, fantasia, delírio, fatos duvidosos, suspeitos ou obscuros de toda natureza, não tenho dúvidas de que outros 20% são a mais absoluta verdade e que permanecem totalmente inexplicados.

A minha Experiência:
No meu caso específico, ao contrário da grande maioria, eu não vi apenas luzes estranhas no céu, tampouco um objeto indefinido ou de visibilidade duvidosa. Vi um aparelho metálico em formato de disco, pairando e voando no ar, que emitia uma luz própria de cor rosa-alaranjada de uma beleza espetacular - sem paralelo!...
O aparelho apareceu se movendo bem devagar e parou por alguns segundos a uma distância de uns 50 ou 60 metros da janela onde nos encontrávamos, eu e alguns irmãos. Em seguida começou a se deslocar lentamente e, numa fração mínima de tempo, que eu estimo entre 1 e 2 segundos, acelerou de forma espantosa, atingindo uma velocidade inimaginável, sem emitir qualquer ruído, desapareceu por sobre sobre a pequena Serra do barreiro, a uns 5 km de distância do local onde estávamos.
Depois dessa experiência, quando eu tinha cerca de nove anos de idade, como dito acima, jamais me esqueci daquela visão espetacular e, também, nunca deixei de buscar explicações para o fenômeno. Algum tempo depois me deparei com a imagem de um aparelho semelhante na capa da revista O Cruzeiro, dizendo se tratar de naves extra terrestres e isso, obviamente, me deixou ainda mais impressionado e intrigado.

Aceleração Impossível

Após adquirir alguns conhecimentos básicos de física na faculdade de Engenharia, me convenci plenamente de que aquele aparelho não obedece os princípios da física conhecida pelo homem. Especialmente por causa daquela "arrancada" silenciosa que ultrapassou 5 km de distância em menos de 2 segundos! Isso corresponde a uma aceleração de 8.000 km/h a cada segundo, atingindo velocidade entre 12.000 e 18.000 km/hora instantaneamente. Veja o cálculo:
---
Velocidade = Espaço / Tempo => V = 5 km/1,5 seg (= 1,5/3600 h)
V = 12.000 Km/h
Aceleração = (V2 - V1) / T => A = 12.000 km/h / 1,5 seg => A = 8.000 km/h/seg
* O tempo de 1,5 seg é estimativo, com base no registro de memória.
---
Isso é algo inimaginável e, de acordo com os princípios da física, é tecnicamente impossível pois, em tese, bastaria a metade dessa aceleração para que qualquer objeto se desintegrasse e, possivelmente, se transformasse em plasma, devido ao esforço colossal a que seria submetido, mesmo que esse objeto fosse algo maciço, constituído de liga de tungstênio, que é o metal de maior resistência conhecido pelo homem.

Para melhor entender o efeito devastador dessa aceleração súbita, basta saber que o esforço sofrido por um objeto sob aceleração positiva (crescente) é exatamente o mesmo sofrido sob desaceleração (aceleração negativa ou decrescente). Assim, aquela aceleração brusca (de zero a 18.000 km/hora em menos de dois segundos), mal comparando, seria como uma trombada de algo que se movesse a 18.000 km/h contra um anteparo estático. Isto é 20.000 vezes mais violento que que impacto de um jato contra uma montanha. É uma escala de dimensões que extrapolam nossa capacidade de imaginação.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Leite e Lactose: Mitos e verdades.

Leite é o único alimento que:
1. Contém, simultaneamente, 16 nutrientes necessários ao ser humano;
2.   Fornece todos os 10 (dez) aminoácidos essenciais;
3.   Inibe uma vasta gama de doenças pela ação de bactérias ácido-láticas, que controlam a proliferação de bactérias intestinais nocivas;
4.   Assegura o equilíbrio da flora e fauna intestinal, devido à ação dos microrganismos probióticos vivos contidos no leite, os quais fortalecem e melhoram as propriedades da microbiota nativa;
5.   Regula as funções fisiológicas do trato intestinal humano pela ação de bacilos de diversos gêneros, especialmente o Bifidobacterium e o Lactobacillus.
6.   Contém Lactose, seu principal nutriente que, além de ser um carboidrato de altíssimo valor nutricional, praticamente não engorda, uma vez que a sua absorção e a consequente conversão em gordura corporal equivale a menos da metade da sacarose (açúcar comum) e a doçura equivale a 1/3 desta.

Lactose:
É o açúcar mais nobre que existe. De altíssimo valor nutricional, de sabor extremamente agradável, é encontrado exclusivamente no leite.
sua constituição molecular, conhecida como dissacarídeo, é resultante de uma ligação química fraca entre dois açúcares monossacrídeos que, no processo digestivo, é decomposta por hidrólise (pela ação de moléculas de água), voltando a ser açúcares monossacarídeos, glicose e galactose. Esta última, embora seja um nutriente importante, não é convertida em gordura corporal. 
Além disso, sua constituição molecular peculiar constitui-se numa cadeia de carbono especial, usada como insumo ou matéria prima na fabricação de uma infinidade de produtos industriais de altíssimo valor de mercado, sendo comercializada a preço de ouro.

Intolerância à Lactose:
Em média o leite de vaca, de cabra ou de ovelhas contem entre 5% e 7% de lactose, enquanto o leite humano contém entre 7% e 9%.
Assim, caso uma criança tenha intolerância congênita à lactose, a mesma seria acometida de graves sintomas logo ao nascer, quando recebesse os primeiros aleitamentos no peito da mãe, o que poderia leva-la a óbito nos primeiros dias de vida, se não fosse diagnosticado de imediato.
Entretanto, a esmagadora maioria das crianças que têm sido diagnosticadas como intolerantes à lactose, chegam aos consultórios com meros sintomas de viroses ou indigestão simples. 


Diagnóstico equivocado:
A Lactose é digerida por uma enzima existente no intestino humano chamada Lactase. Na medida em que a pessoa se torna adulta e passa a tomar menos leite, a quantidade de Lactase em seu intestino vai  diminuindo. É um processo natural: se essa enzima não é mais necessária, o organismo deixa de produzi-la, chegando a desaparecer em muitos casos. Contudo, isso não é deficiência nem doença! É uma reação normal e sábia do metabolismo.
Por causa da redução de Lactase no intestino, o organismo reduz a capacidade de digerir a Lactose - possivelmente porque o corpo não necessita mais desse carboidrato! Porém, isso não causa nenhum mal estar ou dano à pessoa. Pelo contrário, o organismo deixa de absorver um carboidrato desnecessário, evitando assim o acúmulo de gordura corporal.
Entretanto, voluntariamente ou não, médicos e nutricionistas têm interpretado essa redução da capacidade de digerir a Lactose como se fosse intolerância. Porém, isso não faz nenhum sentido! Não passa de uma interpretação equivocada, se não tendenciosa, do processo digestivo!

A indústria quer a Lactose e paga caro por ela.
Insumo ou matéria prima essencial para a moderna indústria química, farmacêutica e de cosméticos, a Lactose é retirada do leite por meio de processo industrial de desidratação do soro, passa por um processo de cristalização para aumentar a sua estabilidade química e reduzir custos de transporte, em seguida, é oferecida a um amplo mercado, disposto a pagar muito bem por ela.

E pra onde vai a Lactose?
No varejo de menor escala, é usada em padarias, sorveterias e pequenos laboratórios, especialmente nos seguintes produtos:

1) Em pães e recheios, sorvetes, farinhas, alimentos enlatados e produtos lácteos (queijo, iogurte), para conferir textura e paladar mais agradável, permitir a fixação de cor mais intensa e controlar a quantidade de água contida nesses alimentos;
2) Na fermentação de produtos lácteos concentrados e congelados, para preservar a estrutura molecular, evitando alterações indesejáveis de sabor, de textura e de cor induzidas pelas variações de temperatura;
3) Em diversos produtos farmacêuticos, para proporcionar suprimento de energia necessária ao desenvolvimento do sistema nervoso central, facilitar a absorção de cálcio, fósforo e vitamina D; favorecendo a retenção de cálcio e prevenindo a osteoporose.

Uso em alta escala na grande indústria.

1) Ácido Lactobiônico (ácido galacto-glucônico):
a)   Na fabricação de detergentes de louças e sabão em pó para uso doméstico, pelas suas propriedades emulsionante, estabilizante de espuma e alta solubilidade em água;
b) Na fabricação de fluidos conservantes de órgãos transplantados, devido à ação antioxidante capaz de inibir ou retardar a oxidação por inativação de radicais livres sobre o tecido armazenado;
c) Em formulações para vetorização de drogas (estratégia terapêutica que consiste na liberação do fármaco nas células, tecidos ou órgãos), aumentando a eficácia terapêutica de medicamentos e reduzindo a toxicidade e a restrição ao tecido lesado;
d) Como conjugado à quitosana hidrossolúvel com o objetivo de atingir a hepatócito-seletividade;
e) Como substituto do fosfato na alimentação;
f) Na fabricação de cosméticos dermatológicos, devido à ação hidratante, antienvelhecimento, anti-fotoenvelhecimento e rejuvenescedora da Lactona (sub-produto do processo industrial de produção do Ácido Lactobiônico);
g) Na fabricação de produtos antiacneicos (contra espinhas), produtos farmacêuticos cicatrizantes e produtos para peles sensíveis, devido à ação cicatrizante do Ácido Lactobiônico (Nardin & Guiterres, 1999).

2) Lactitol:
a)  É um edulcorante cujo valor calórico é de apenas 2,4kcal/g, largamente usado pela indústria farmacêutica e alimentícia na produção de adoçantes dietéticos e produtos alimentícios e medicinais destinados a diabéticos e obesos (Timmermans,1997);
b)   Na fabricação de chicletes, biscoitos, bolos, produtos forneados e produtos lácteos, em decorrência de sua estabilidade, solubilidade, higroscopicidade e gosto similar ao do açúcar comum;
c)   Na indústria de produtos dentais, por ser considerado um adoçante não cariogênico, uma vez que não é metabolizado pelas bactérias da boca, por isso provoca a liberação de ácidos corrosivos ao esmalte dos dentes;
d)   Na fabricação de medicamentos e produtos dietéticos destinados a promover o aumento de bifidobacterias ativas no colón intestinal, na cura de diversas doenças relacionadas, uma vez que ao ser metabolizado, reduz o pH intestinal, restringindo o crescimento de vários patógenos e bactérias putrefativas e nocivas (Playne et al. - 2003);
e)    Na fabricação de fármacos e produtos medicinais laxantes osmóticos em decorrencia de sua metabolização produzir ácidos carbônicos com poucos carbonos na cadeia, tais como: os ácidos láctico, butírico, propiônico e acético, aumenta a osmolaridade da região intestinal, provocando aumento do bolo fecal.

3) Lactases (Hidrolases ou β –Galactosidases)
a)   Na produção industrial de fármacos e produtos laticínios cuja ação metabólica catalisa os resíduos nocivos de outros alimentos no trato intestinal, transformando-os em glicose e galactose, reduzindo assim os efeitos de intolerância alimentar (Husain, 2010);
b)   Como aditivo a produtos lácteos destinados a consumidores com intolerância à proteína do leite e à Lactose, pois melhora a solubilidade e a digestibilidade do leite e derivados.
c)   Como aditivos destinados a prevenir a cristalização da lactose em produtos lácteos tais como doce de leite, leite condensado, leite concentrado congelado, misturas para sorvetes e iogurtes, além de melhorar as características sensoriais e de textura desses alimentos;
d) Oferecida livremente em países como o Japão na forma de mistura, contendo oligossacarídeos, lactose, glicose e galactose, no estado líquido ou em pó, é usada pelas indústrias de laticínio com objetivo estabilizar a lactase no intestino humano, influenciando beneficamente a saúde e a capacidade digestiva das pessoas, sendo, por isso denominado fator de crescimento Bifidus (Tomal et al. 2010);

4) Lactosacarose:
a)   Usada em alta escala pela indústria dietética mundial, devido à rápida absorção metabólica (cerca de 3 vezes maior que da sacarose), é um açúcar de baixo teor de conversão em gordura corporal, além de estimular o crescimento seletivo de bifidobacterias no intestino humano (Ikegaki & Park, 1997).
b) Na forma de β-frutofuranosidase (subproduto da lactosacarose), é usada em catalisadores destinados a hidrolisar a sacarose em glicose e frutose, que propiciam a transformação química dos resíduos de frutosil proveniente da sacarose (Ikegaki & Park, 1997).

5) Acido láctico (ácido 2-hidroxipropanóico ou ácido β-hidroxipropanóico):
a)   Largamente usado em vários setores industriais, como alimentício, farmacêutico, cosmético, químico e têxtil, o ácido láctico e seus derivados (sais de sódio, potássio e de cálcio) apresentam inúmeras funções, incluindo o uso como acidulante, regulador de acidez, umectante, antioxidante, agente de corpo ou massa, melhorador de farinha na produção de produtos de panificação, etc;
b)   Usado como conservante na fabricação industrial de bebidas (cerveja, vinho, sucos de frutas), bem como de alimentos em conservas (azeitonas, palmito, repolho, pepino, etc...), nos quais promove também a melhoria do sabor e a clarificação da salmoura;
c)   Usado como descontaminante e conservante na indústria de carnes, aves e carcaças suínas, destinado a reduzir a infecção por Salmonella e a contaminação por E. coli, dentre outros (Vijayakumar et al., 2008);
d)   Na fabricação de cosméticos como hidratante e regulador de pH, assim como em produtos destinados ao clareamento e hidratação da pele, além da atividade antimicrobiana;
e)   Os derivados de ácido láctico, como os ésteres de ácido lático com alcoóis alifáticos de cadeia longa são usados como emulsificantes e estabilizantes em produtos de higiene pessoal;
f)    Na indústria química, o ácido láctico apresenta inúmeras aplicações como matéria-prima na obtenção de óxido de propileno, acetaldeído, ácido acrílico, PLA, ácido propanoico, enquanto;
g)   no setor têxtil, o ácido láctico é usado no curtimento e acabamento têxtil incluindo: o tingimento da seda, na descalcificação de vegetais, como neutralizador, agente regulador de pH.

6) Polilactatos (PLA)
a)   Na fabricação de embalagens de plástico biodegradável, reciclável, bioabsorvível e compostável, transparente, assim como para demais polímeros que exijam capacidade de biocompatibilidade (Drumond et al.,2007);
b)   Na fabricação de de fibras e têxtil, agricultura, eletrônicos e produção de aparelhos e aparatos eletrônicos domésticos;
c)   Na indústria médica e de engenharia de tecidos e implantes ósseos, devido à possibilidade de serem utilizados em implantes temporários, devido à sua capacidade bioabsorvível e, à medida que se degrada transfere a tensão gradualmente para o osso em cicatrização, o que elimina a necessidade de uma segunda cirurgia para retirada do implante, fatos que promovem melhor recuperação do paciente e reduzem custos com o tratamento (Rezende & Duek, 2003);
d)   Pela sua capacidade de biodegradação, o seu uso industrial tende a aumentar em escala geométrica, devido às crescentes preocupações ambientais e sustentáveis em relação aos polímeros petroquímicos convencionais, não obstante as dificuldades da indústria em viabilizar o aumento da escala de produção e disponibilidade de matéria-prima (Lactose);

Conclusão:
A demanda da indústria por derivados da Lactose vem crescendo em escala geométrica nos últimos anos, coincidentemente com o crescimento da campanha que divulga o mito da Intolerância à Lactose. Isso se dá, sobretudo, devido ao interesse da indústria em atender a um mercado crescente que requer, como insumo ou matéria prima, derivados da Lactose, quais sejam:

1)   As preocupações ambientais que induzem à demanda de Polilactatos para produzir produtos biodegradáveis;
2)   interesse da indústria médica por materiais auto absorvíveis, cuja produção necessita de Polilactatos;
3)   procura maior por alimentos de baixo teor calórico que requer o  uso de Lactitol e Lactosacarose para produzir alimentos e medicação dietética;
4)   intenção da indústria farmacêutica e de cosméticos em melhorar a qualidade de seus produtos, para o que necessita de Ácido Lactobiônico e Acido láctico.

Todos esses segmentos industriais utilizam como insumo ou matéria prima produtos derivados da Lactose. Por isso, a campanha de demonização do Leite e da Lactose, como forma de afastar a população desses alimentos, reduzindo a sua demanda e, assim, baixando os custos dessas matérias primas para essa indústria.
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Leia também:
1) Nutrição e Dietas: Dicas
2) Quatro Décadas de Orientação Nutricional Errada
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Parece ser vegano, mas é Lactose.

Lactose é insumo ou matéria prima essencial para a moderna indústria química, farmacêutica e de cosméticos.
Com tanto leite sem lactose sendo vendido nos supermercados, muitas pessoas devem se perguntar:
- Para onde vai a Lactose retirada desse leite?
Retirada do leite por meio de processo industrial de desidratação do soro, a Lactose passa por um processo de cristalização para aumentar a sua estabilidade química e reduzir custos de transporte. Em seguida, é oferecida a um amplo mercado, disposto a pagar bem por ela.
Numa escala menor, é vendida a padarias, sorveterias e pequenos laboratórios, como por exemplo:
1) Adicionada em pães e recheios, sorvetes, farinhas, alimentos enlatados e produtos lácteos (queijo, iogurte), para conferir textura e paladar mais agradável, permitir a fixação de cor mais intensa e controlar a quantidade de água contida nesses alimentos;
2) Na fermentação de produtos lácteos concentrados e congelados, para preservar a estrutura molecular, evitando alterações indesejáveis de sabor, de textura e de cor induzidas pelas variações de temperatura (Fox & Mc Sweeney, 1998).
3) Em diversos produtos farmacêuticos, para proporcionar suprimento de energia necessária ao desenvolvimento do sistema nervoso central, facilitar a absorção de cálcio, fósforo e vitamina D; favorecendo a retenção de cálcio e prevenindo a osteoporose (Mattar & Mazo, 2010; Camelo Junior et al 2011).
No entanto, isso é apenas a ponta do iceberg. O consumo de lactose e de seus derivados pela indústria vem crescendo fortemente desde a década de 60, ultrapassando atualmente os milhões de tonelada anuais. Seus principais derivados são utilizados em alta escala como matéria-prima/insumo na fabricação de uma infinidade de produtos, especialmente nas indústrias química, farmacêutica, cosmética e de alimentos.
A seguir, exemplos da utilização de alguns desses derivados (Ressalte-se que estes produtos são derivados exclusivamente da lactose).
Carregamento de Lactose para a China

Algumas aplicações de derivados da Lactose na indústria

1) Ácido Lactobiônico (ácido galacto-glucônico):
a)   Na fabricação de detergentes de louças e sabão em pó para uso doméstico, pelas suas propriedades emulsionante, estabilizante de espuma e alta solubilidade em água;
b) Na fabricação de fluidos conservantes de órgãos transplantados, devido à ação antioxidante capaz de inibir ou retardar a oxidação por inativação de radicais livres sobre o tecido armazenado;
c) Em formulações para vetorização de drogas (estratégia terapêutica que consiste na liberação do fármaco nas células, tecidos ou órgãos), aumentando a eficácia terapêutica de medicamentos e reduzindo a toxicidade e a restrição ao tecido lesado;
d) Como conjugado à quitosana hidrossolúvel com o objetivo de atingir a hepatócito-seletividade;
e) Como substituto do fosfato na alimentação;
f) Na fabricação de cosméticos dermatológicos, devido à ação hidratante, antienvelhecimento, anti-fotoenvelhecimento e rejuvenescedora da Lactona (sub-produto do processo industrial de produção do Ácido Lactobiônico);
g) Na fabricação de produtos antiacneicos (contra espinhas), produtos farmacêuticos cicatrizantes e produtos para peles sensíveis, devido à ação cicatrizante do Ácido Lactobiônico (Nardin & Guiterres, 1999).

2) Lactitol:
a)  É um edulcorante cujo valor calórico é de apenas 2,4kcal/g, largamente usado pela indústria farmacêutica e alimentícia na produção de adoçantes dietéticos e produtos alimentícios e medicinais destinados a diabéticos e obesos (Timmermans,1997);
b)   Na fabricação de chicletes, biscoitos, bolos, produtos forneados e produtos lácteos, em decorrência de sua estabilidade, solubilidade, higroscopicidade e gosto similar ao do açúcar comum;
c)   Na indústria de produtos dentais, por ser considerado um adoçante não cariogênico, uma vez que não é metabolizado pelas bactérias da boca, por isso provoca a liberação de ácidos corrosivos ao esmalte dos dentes;
d)   Na fabricação de medicamentos e produtos dietéticos destinados a promover o aumento de bifidobacterias ativas no colón intestinal, na cura de diversas doenças relacionadas, uma vez que ao ser metabolizado, reduz o pH intestinal, restringindo o crescimento de vários patógenos e bactérias putrefativas e nocivas (Playne et al. - 2003);
e)    Na fabricação de fármacos e produtos medicinais laxantes osmóticos em decorrencia de sua metabolização produzir ácidos carbônicos com poucos carbonos na cadeia, tais como: os ácidos láctico, butírico, propiônico e acético, aumenta a osmolaridade da região intestinal, provocando aumento do bolo fecal.

3) Lactases (Hidrolases ou β –Galactosidases)
a)   Na produção industrial de fármacos e produtos laticínios cuja ação metabólica catalisa os resíduos nocivos de outros alimentos no trato intestinal, transformando-os em glicose e galactose, reduzindo assim os efeitos de intolerância alimentar (Husain, 2010);
b)   Como aditivo a produtos lácteos destinados a consumidores com intolerância à proteína do leite e à Lactose, pois melhora a solubilidade e a digestibilidade do leite e derivados.
c)   Como aditivos destinados a prevenir a cristalização da lactose em produtos lácteos tais como doce de leite, leite condensado, leite concentrado congelado, misturas para sorvetes e iogurtes, além de melhorar as características sensoriais e de textura desses alimentos;
d) Oferecida livremente em países como o Japão na forma de mistura, contendo oligossacarídeos, lactose, glicose e galactose, no estado líquido ou em pó, é usada pelas indústrias de laticínio com objetivo estabilizar a lactase no intestino humano, influenciando beneficamente a saúde e a capacidade digestiva das pessoas, sendo, por isso denominado fator de crescimento Bifidus (Tomal et al. 2010);

4) Lactosacarose:
a)   Usada em alta escala pela indústria dietética mundial, devido à rápida absorção metabólica (cerca de 3 vezes maior que da sacarose), é um açúcar de baixo teor de conversão em gordura corporal, além de estimular o crescimento seletivo de bifidobacterias no intestino humano (Ikegaki & Park, 1997).
b) Na forma de β-frutofuranosidase (subproduto da lactosacarose), é usada em catalisadores destinados a hidrolisar a sacarose em glicose e frutose, que propiciam a transformação química dos resíduos de frutosil proveniente da sacarose (Ikegaki & Park, 1997).

5) Acido láctico (ácido 2-hidroxipropanóico ou ácido β-hidroxipropanóico):
a)   Largamente usado em vários setores industriais, como alimentício, farmacêutico, cosmético, químico e têxtil, o ácido láctico e seus derivados (sais de sódio, potássio e de cálcio) apresentam inúmeras funções, incluindo o uso como acidulante, regulador de acidez, umectante, antioxidante, agente de corpo ou massa, melhorador de farinha na produção de produtos de panificação, etc;
b)   Usado como conservante na fabricação industrial de bebidas (cerveja, vinho, sucos de frutas), bem como de alimentos em conservas (azeitonas, palmito, repolho, pepino, etc...), nos quais promove também a melhoria do sabor e a clarificação da salmoura;
c)   Usado como descontaminante e conservante na indústria de carnes, aves e carcaças suínas, destinado a reduzir a infecção por Salmonella e a contaminação por E. coli, dentre outros (Vijayakumar et al., 2008);
d)   Na fabricação de cosméticos como hidratante e regulador de pH, assim como em produtos destinados ao clareamento e hidratação da pele, além da atividade antimicrobiana;
e)   Os derivados de ácido láctico, como os ésteres de ácido lático com alcoóis alifáticos de cadeia longa são usados como emulsificantes e estabilizantes em produtos de higiene pessoal;
f)    Na indústria química, o ácido láctico apresenta inúmeras aplicações como matéria-prima na obtenção de óxido de propileno, acetaldeído, ácido acrílico, PLA, ácido propanoico, enquanto;
g)   no setor têxtil, o ácido láctico é usado no curtimento e acabamento têxtil incluindo: o tingimento da seda, na descalcificação de vegetais, como neutralizador, agente regulador de pH.

6) Polilactatos (PLA)
a)   Na fabricação de embalagens de plástico biodegradável, reciclável, bioabsorvível e compostável, transparente, assim como para demais polímeros que exijam capacidade de biocompatibilidade (Drumond et al.,2007);
b)   Na fabricação de de fibras e têxtil, agricultura, eletrônicos e produção de aparelhos e aparatos eletrônicos domésticos;
c)   Na indústria médica e de engenharia de tecidos e implantes ósseos, devido à possibilidade de serem utilizados em implantes temporários, devido à sua capacidade bioabsorvível e, à medida que se degrada transfere a tensão gradualmente para o osso em cicatrização, o que elimina a necessidade de uma segunda cirurgia para retirada do implante, fatos que promovem melhor recuperação do paciente e reduzem custos com o tratamento (Rezende & Duek, 2003);
d)   Pela sua capacidade de biodegradação, o seu uso industrial tende a aumentar em escala geométrica, devido às crescentes preocupações ambientais e sustentáveis em relação aos polímeros petroquímicos convencionais, não obstante as dificuldades da indústria em viabilizar o aumento da escala de produção e disponibilidade de matéria-prima (Lactose);

Conclusão:
A demanda da indústria por derivados da Lactose vem crescendo em escala geométrica nos últimos anos, coincidentemente com o crescimento da campanha que divulga o mito da Intolerância à Lactose. Isso se dá, sobretudo, devido ao interesse da indústria em atender a um mercado crescente que requer, como insumo ou matéria prima, derivados da Lactose, quais sejam:

1)   As preocupações ambientais que induzem à demanda de Polilactatos para produzir produtos biodegradáveis;
2)   O interesse da indústria médica por materiais auto absorvíveis, cuja produção necessita de Polilactatos;
3)   A procura maior por alimentos de baixo teor calórico que requer o  uso de Lactitol e Lactosacarose para produzir alimentos e medicação dietética;
4)   A intenção da indústria farmacêutica e de cosméticos em melhorar a qualidade de seus produtos, para o que necessita de Ácido Lactobiônico e Acido láctico.
Todos esses segmentos industriais utilizam como insumo ou matéria prima produtos derivados da Lactose. Por isso, a campanha de demonização do Leite e da Lactose, como forma de afastar a população desses alimentos, reduzindo a sua demanda e, assim, baixando os custos dessas matérias primas para essa indústria.

Fontes:

http://revistalaticinios.com.br/wp-content/uploads/2011/09/10-Fazer-Melhor-104.pdf

http://www.igastroped.com.br/areas-de-atuacao/intolerancia-a-lactose/intolerancia-a-lactose-mitos-e-realidade/

http://www.enxaqueca.com.br/blog/queijo-sem-enxaqueca/

http://www.saocamilo-sp.br/novo/noticias/maioria-das-alergias-alimentares-e-mito.php

http://www.ecologiamedica.net/2015/09/leite-mitos.html?m=1

http://pt.scribd.com/doc/119915355/Lactose#scribd

domingo, 18 de outubro de 2015

A farsa da intolerância à Lactose.


1.   Leite: o alimento mais completo e saudável que existe.
2. Lactose não faz mal: A propalada intolerância à Lactose é um mito que usa como pretexto uma interpretação equivocada do processo digestivo.
3.   A indústria quer a Lactose e paga muito caro por ela.

Entenda o porquê.
Leite é o alimento mais completo e mais saudável
Por essa razão, é o único alimento capaz de nutrir, proteger e propiciar o desenvolvimento e o crescimento plenos do mais frágil e mais vulnerável de todos os indivíduos, o recém nascido, sem nenhuma necessidade de suplementação.
A humanidade se alimenta do leite de animais domesticados há pelo menos vinte e sete mil anos. Não é à toa que, segundo a Escritura Sagrada, Deus prometeu ao seu povo "uma terra que mana leite e mel" (Êxodo, 3.8)! Estes dois alimentos contém os açúcares mais preciosos e mais nutritivos que a natureza pode nos oferecer, conforme veremos a seguir.  
Além disso, leite é o único alimento que:

1. Contém, simultaneamente, 16 nutrientes importantes e necessários ao ser humano;
2.   Fornece todos os 10 (dez) aminoácidos essenciais ao ser humano;
3.   Inibe uma vasta gama de doenças pela atividade metabólica das bactérias ácido-láticas, que controlam a proliferação de bactérias intestinais nocivas (Estudo do microbiologista russo Eli Metchnikoff);
4.   Assegura o equilíbrio da flora e fauna intestinal, devido à ação dos microrganismos probióticos vivos contidos no leite, os quais fortalecem e melhoram as propriedades da microbiota nativa (GOLDIN, 1998; SHAH,2001);
5.   Regula as funções fisiológicas do trato intestinal humano pela ação de bacilos de diversos gêneros, especialmente o Bifidobacterium e o Lactobacillus.
Obs.: Os probióticos (bactérias, bacilos e microrganismos em geral) são componentes alimentícios não digestíveis que beneficiam o ser humano por meio da estimulação seletiva do crescimento e atividade de uma ou várias bactérias do cólon, as quais têm o potencial de melhorar a saúde (GOLDIN, 1998; SHAH, 2001). Ressalte-se que o leite pasteurizado perde muito dessa propriedade.
6.   Contém Lactose, seu principal nutriente que, além de ser um carboidrato de altíssimo valor nutricional, praticamente não engorda, uma vez que a sua absorção e a consequente conversão em gordura corporal equivale a menos da metade da sacarose (açúcar comum) e a doçura equivale a 1/3 desta.
(http://www.insumos.com.br/aditivos_e_ingredientes/materias).

Lactose não faz mal.
Depois de uma exaustiva busca na literatura de referência e da consulta de mais de uma centena de páginas especializadas na Internet, verifiquei que pelo menos 95% dos autores condenam a Lactose com base em duas premissas que não se sustentam e não fazem nenhum sentido.
Copiando uns dos outros, todos alegam que o ser humano é o único animal que bebe leite depois de adulto e que bebe leite de outro animal.
Ora, o ser humano é único em praticamente todos os seus hábitos. Nenhuma conduta humana tem origem em modelos copiados de outros animais. Ao contrário de todos os seres vivos, nós somos onívoros que não só produzimos nossos próprios alimentos, como também criamos nossos próprios animais para o abate. Portanto, não faz sentido propor que não devemos beber leite depois de adulto porque a vaca não bebe! Vaca é vaca, gente é gente e somos bem diferentes em tudo!
Na literatura disponível não há razão para se temer a Lactose! Trata-se de um açúcar (dissacarídeo) de altíssimo valor nutricional, composto de moléculas de glicose e galactose, de sabor extremamente agradável!
É encontrado exclusivamente no leite, em proporções que variam de 2% a 9%. Em média, leite de vaca, de cabra ou de ovelhas contém entre 5% e 7%, enquanto o leite humano, o de maior teor, contém entre 7% e 9% de lactose.
Assim sendo, caso uma criança apresentasse intolerância congênita à lactose, a mesma seria acometida de graves sintomas logo ao nascer, quando recebesse os primeiros aleitamentos no peito da mãe, o que poderia leva-la a óbito nos primeiros dias de vida, se não fosse diagnosticado de imediato.
Cabe esclarecer que intolerâncias alimentares apresentam como sintoma fortes reações de inchaço e diarreias que, se não tratadas a tempo, podem levar até mesmo adultos a sérias consequências em questão de horas, podendo ir a óbito muito rapidamente. No entanto, as crianças que, via de regra, têm sido diagnosticadas como intolerantes à lactose, não têm chegado ao médico com sintomas tão graves. Por essa razão, é procedente suspeitar-se de diagnósticos precipitados de intolerância à Lactose. Sobretudo porque, se a criança sobreviveu depois de se alimentar do leite da mãe, é improvável que seja intolerante à lactose.

Porquê os médicos diagnosticam intolerância à lactose?
De alguns anos para cá percebe-se uma avalanche de diagnósticos de intolerância à Lactose, em proporções epidemiológicas! O que será que aconteceu? Com base em quê esse fenômeno se sustenta?
Na verdade, não houve nenhuma incidência epidemiológica e as pessoas não mudaram em nada a sua capacidade de digerir o leite ou a Lactose, como vamos entender mais adiante.
Antes, porém, cabe esclarecer que a Lactose é digerida por uma enzima existente no intestino humano chamada Lactase. Porém, na medida em que a pessoa se torna adulta e passa a tomar menos leite, a quantidade de Lactase em seu intestino vai  diminuindo. É um processo natural: se essa enzima não é mais necessária, o organismo deixa de produzi-la, chegando a desaparecer em muitos casos. Contudo, isso não é deficiência nem doença! É uma reação normal e sábia do metabolismo.
Dessa forma, por causa da redução de Lactase no intestino, o organismo reduz a capacidade de digerir a Lactose - possivelmente porque o corpo não necessita mais desse carboidrato! Porém, isso não causa nenhum mal estar ou dano à pessoa. Pelo contrário, o organismo deixa de absorver um carboidrato desnecessário, evitando assim o acúmulo de gordura corporal.
Entretanto, voluntariamente ou não, médicos e nutricionistas têm interpretado essa redução da capacidade de digerir a Lactose como se fosse intolerância. Porém, isso não faz nenhum sentido! Não passa de uma interpretação equivocada, se não tendenciosa, do processo digestivo!

E porque, simultaneamente, os supermercados passaram a ofertar enormes quantidades de leite sem Lactose?
Ao contrário do que muitos acreditam, a Lactose não é mero subproduto nocivo à saúde. Na verdade, trata-se do açúcar mais nobre que existe, que é utilizado em alta escala como insumo ou matéria prima em uma infinidade de produtos industriais de alto valor de mercado, como veremos a seguir, e que é comercializada a preço de ouro.

A indústria quer a Lactose e paga alto por ela
Lactose é insumo ou matéria prima essencial para a moderna indústria química, farmacêutica e de cosméticos.
Carregamento de Lactose para a China
Com tanto leite sem lactose sendo vendido nos supermercados, muitas pessoas devem se perguntar:
- Para onde vai a Lactose retirada desse leite?
Retirada do leite por meio de processo industrial de desidratação do soro, a Lactose passa por um processo de cristalização para aumentar a sua estabilidade química e reduzir custos de transporte. Em seguida, é oferecida a um amplo mercado, disposto a pagar muito bem por ela.
Numa escala menor, a Lactose costuma ser vendida a padarias, sorveterias e pequenos laboratórios, como por exemplo:
1) Adicionada em pães e recheios, sorvetes, farinhas, alimentos enlatados e produtos lácteos (queijo, iogurte), para conferir textura e paladar mais agradável, permitir a fixação de cor mais intensa e controlar a quantidade de água contida nesses alimentos;
2) Na fermentação de produtos lácteos concentrados e congelados, para preservar a estrutura molecular, evitando alterações indesejáveis de sabor, de textura e de cor induzidas pelas variações de temperatura (Fox & Mc Sweeney, 1998).
3) Em diversos produtos farmacêuticos, para proporcionar suprimento de energia necessária ao desenvolvimento do sistema nervoso central, facilitar a absorção de cálcio, fósforo e vitamina D; favorecendo a retenção de cálcio e prevenindo a osteoporose (Mattar & Mazo, 2010; Camelo Junior et al 2011).

No entanto, isso é apenas a ponta do iceberg. O consumo de lactose e de seus derivados pela indústria vem crescendo fortemente desde a década de 60, ultrapassando atualmente os milhões de tonelada anuais. Seus principais derivados são utilizados em alta escala como matéria-prima/insumo na fabricação de uma infinidade de produtos, especialmente nas indústrias química, farmacêutica, cosmética e de alimentos.
A seguir, exemplos da utilização de alguns desses derivados (Ressalte-se que estes produtos são derivados exclusivamente da lactose).

Algumas aplicações de derivados da Lactose na indústria

1) Ácido Lactobiônico (ácido galacto-glucônico):
a)   Na fabricação de detergentes de louças e sabão em pó para uso doméstico, pelas suas propriedades emulsionante, estabilizante de espuma e alta solubilidade em água;
b) Na fabricação de fluidos conservantes de órgãos transplantados, devido à ação antioxidante capaz de inibir ou retardar a oxidação por inativação de radicais livres sobre o tecido armazenado;
c) Em formulações para vetorização de drogas (estratégia terapêutica que consiste na liberação do fármaco nas células, tecidos ou órgãos), aumentando a eficácia terapêutica de medicamentos e reduzindo a toxicidade e a restrição ao tecido lesado;
d) Como conjugado à quitosana hidrossolúvel com o objetivo de atingir a hepatócito-seletividade;
e) Como substituto do fosfato na alimentação;
f) Na fabricação de cosméticos dermatológicos, devido à ação hidratante, antienvelhecimento, anti-fotoenvelhecimento e rejuvenescedora da Lactona (sub-produto do processo industrial de produção do Ácido Lactobiônico);
g) Na fabricação de produtos antiacneicos (contra espinhas), produtos farmacêuticos cicatrizantes e produtos para peles sensíveis, devido à ação cicatrizante do Ácido Lactobiônico (Nardin & Guiterres, 1999).

2) Lactitol:
a)  É um edulcorante cujo valor calórico é de apenas 2,4kcal/g, largamente usado pela indústria farmacêutica e alimentícia na produção de adoçantes dietéticos e produtos alimentícios e medicinais destinados a diabéticos e obesos (Timmermans,1997);
b)   Na fabricação de chicletes, biscoitos, bolos, produtos forneados e produtos lácteos, em decorrência de sua estabilidade, solubilidade, higroscopicidade e gosto similar ao do açúcar comum;
c)   Na indústria de produtos dentais, por ser considerado um adoçante não cariogênico, uma vez que não é metabolizado pelas bactérias da boca, por isso provoca a liberação de ácidos corrosivos ao esmalte dos dentes;
d)   Na fabricação de medicamentos e produtos dietéticos destinados a promover o aumento de bifidobacterias ativas no colón intestinal, na cura de diversas doenças relacionadas, uma vez que ao ser metabolizado, reduz o pH intestinal, restringindo o crescimento de vários patógenos e bactérias putrefativas e nocivas (Playne et al. - 2003);
e)    Na fabricação de fármacos e produtos medicinais laxantes osmóticos em decorrencia de sua metabolização produzir ácidos carbônicos com poucos carbonos na cadeia, tais como: os ácidos láctico, butírico, propiônico e acético, aumenta a osmolaridade da região intestinal, provocando aumento do bolo fecal.

3) Lactases (Hidrolases ou β –Galactosidases)
a)   Na produção industrial de fármacos e produtos laticínios cuja ação metabólica catalisa os resíduos nocivos de outros alimentos no trato intestinal, transformando-os em glicose e galactose, reduzindo assim os efeitos de intolerância alimentar (Husain, 2010);
b)   Como aditivo a produtos lácteos destinados a consumidores com intolerância à proteína do leite e à Lactose, pois melhora a solubilidade e a digestibilidade do leite e derivados.
c)   Como aditivos destinados a prevenir a cristalização da lactose em produtos lácteos tais como doce de leite, leite condensado, leite concentrado congelado, misturas para sorvetes e iogurtes, além de melhorar as características sensoriais e de textura desses alimentos;
d) Oferecida livremente em países como o Japão na forma de mistura, contendo oligossacarídeos, lactose, glicose e galactose, no estado líquido ou em pó, é usada pelas indústrias de laticínio com objetivo estabilizar a lactase no intestino humano, influenciando beneficamente a saúde e a capacidade digestiva das pessoas, sendo, por isso denominado fator de crescimento Bifidus (Tomal et al. 2010);

4) Lactosacarose:
a)   Usada em alta escala pela indústria dietética mundial, devido à rápida absorção metabólica (cerca de 3 vezes maior que da sacarose), é um açúcar de baixo teor de conversão em gordura corporal, além de estimular o crescimento seletivo de bifidobacterias no intestino humano (Ikegaki & Park, 1997).
b) Na forma de β-frutofuranosidase (subproduto da lactosacarose), é usada em catalisadores destinados a hidrolisar a sacarose em glicose e frutose, que propiciam a transformação química dos resíduos de frutosil proveniente da sacarose (Ikegaki & Park, 1997).

5) Acido láctico (ácido 2-hidroxipropanóico ou ácido β-hidroxipropanóico):
a)   Largamente usado em vários setores industriais, como alimentício, farmacêutico, cosmético, químico e têxtil, o ácido láctico e seus derivados (sais de sódio, potássio e de cálcio) apresentam inúmeras funções, incluindo o uso como acidulante, regulador de acidez, umectante, antioxidante, agente de corpo ou massa, melhorador de farinha na produção de produtos de panificação, etc;
b)   Usado como conservante na fabricação industrial de bebidas (cerveja, vinho, sucos de frutas), bem como de alimentos em conservas (azeitonas, palmito, repolho, pepino, etc...), nos quais promove também a melhoria do sabor e a clarificação da salmoura;
c)   Usado como descontaminante e conservante na indústria de carnes, aves e carcaças suínas, destinado a reduzir a infecção por Salmonella e a contaminação por E. coli, dentre outros (Vijayakumar et al., 2008);
d)   Na fabricação de cosméticos como hidratante e regulador de pH, assim como em produtos destinados ao clareamento e hidratação da pele, além da atividade antimicrobiana;
e)   Os derivados de ácido láctico, como os ésteres de ácido lático com alcoóis alifáticos de cadeia longa são usados como emulsificantes e estabilizantes em produtos de higiene pessoal;
f)    Na indústria química, o ácido láctico apresenta inúmeras aplicações como matéria-prima na obtenção de óxido de propileno, acetaldeído, ácido acrílico, PLA, ácido propanoico, enquanto;
g)   no setor têxtil, o ácido láctico é usado no curtimento e acabamento têxtil incluindo: o tingimento da seda, na descalcificação de vegetais, como neutralizador, agente regulador de pH.

6) Polilactatos (PLA)
a)   Na fabricação de embalagens de plástico biodegradável, reciclável, bioabsorvível e compostável, transparente, assim como para demais polímeros que exijam capacidade de biocompatibilidade (Drumond et al.,2007);
b)   Na fabricação de de fibras e têxtil, agricultura, eletrônicos e produção de aparelhos e aparatos eletrônicos domésticos;
c)   Na indústria médica e de engenharia de tecidos e implantes ósseos, devido à possibilidade de serem utilizados em implantes temporários, devido à sua capacidade bioabsorvível e, à medida que se degrada transfere a tensão gradualmente para o osso em cicatrização, o que elimina a necessidade de uma segunda cirurgia para retirada do implante, fatos que promovem melhor recuperação do paciente e reduzem custos com o tratamento (Rezende & Duek, 2003);
d)   Pela sua capacidade de biodegradação, o seu uso industrial tende a aumentar em escala geométrica, devido às crescentes preocupações ambientais e sustentáveis em relação aos polímeros petroquímicos convencionais, não obstante as dificuldades da indústria em viabilizar o aumento da escala de produção e disponibilidade de matéria-prima (Lactose);

Conclusão:
A demanda da indústria por derivados da Lactose vem crescendo em escala geométrica nos últimos anos, coincidentemente com o crescimento da campanha que divulga o mito da Intolerância à Lactose. Isso se dá, sobretudo, devido ao interesse da indústria em atender a um mercado crescente que requer, como insumo ou matéria prima, derivados da Lactose, quais sejam:

1)   As preocupações ambientais que induzem à demanda de Polilactatos para produzir produtos biodegradáveis;
2)   O interesse da indústria médica por materiais auto absorvíveis, cuja produção necessita de Polilactatos;
3)   A procura maior por alimentos de baixo teor calórico que requer o  uso de Lactitol e Lactosacarose para produzir alimentos e medicação dietética;
4)   A intenção da indústria farmacêutica e de cosméticos em melhorar a qualidade de seus produtos, para o que necessita de Ácido Lactobiônico e Acido láctico.
Todos esses segmentos industriais utilizam como insumo ou matéria prima produtos derivados da Lactose. Por isso, a campanha de demonização do Leite e da Lactose, como forma de afastar a população desses alimentos, reduzindo a sua demanda e, assim, baixando os custos dessas matérias primas para essa indústria.
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Leia também:
1) Nutrição e Dietas: Dicas
2) Comer bem sem engordar
3) Quatro Décadas de Orientação Nutricional Errada
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Fontes:

http://revistalaticinios.com.br/wp-content/uploads/2011/09/10-Fazer-Melhor-104.pdf

http://www.igastroped.com.br/areas-de-atuacao/intolerancia-a-lactose/intolerancia-a-lactose-mitos-e-realidade/

http://www.enxaqueca.com.br/blog/queijo-sem-enxaqueca/

http://www.saocamilo-sp.br/novo/noticias/maioria-das-alergias-alimentares-e-mito.php

http://www.ecologiamedica.net/2015/09/leite-mitos.html?m=1

http://pt.scribd.com/doc/119915355/Lactose#scribd